
Lançada nesta terça-feira, 3 de março, a terceira edição do Reporting Matters Brasil, desenvolvida pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), revela que 84% dos relatórios das empresas associadas passaram por auditoria externa (ao menos parcial).
O estudo, que analisou os relatórios de sustentabilidade de 82 empresas, identificou que 97% dos documentos utilizaram o padrão GRI, Global Reporting Initiative, referência internacional para relatos de sustentabilidade, e 75% adotam dupla materialidade, processo que considera tanto os impactos financeiros quanto os impactos ao meio ambiente e à sociedade para priorizar seus temas de atuação.
A terceira edição do Reporting Matters analisou 82 relatórios, publicados em 2025 com dados de 2024, totalizando 9.986 páginas avaliadas com base em 16 critérios e 76 subcritérios organizados em quatro dimensões: Princípios, Conteúdo, Efetividade e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda global estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU). O trabalho mobilizou 11 consultores e somou 350 horas de análise técnica.
“O que vemos é um movimento claro das empresas brasileiras rumo a um reporte mais estruturado, comparável e orientado à decisão. O Reporting Matters é parte desse processo de amadurecimento coletivo, apoiando na consolidação da sustentabilidade como pilar estratégico do negócio”, pontuou Daniela Mignani, diretora executiva Corporativa do CEBDS.
Elaborado pelo CEBDS, organização que representa cerca de 120 grandes empresas em atuação no país, com metodologia do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e apoio técnico do Grupo Report, o Reporting Matters oferece uma visão estruturada e comparável sobre como companhias brasileiras organizam, priorizam e comunicam informações ESG em um ambiente regulatório e de mercado cada vez mais exigente. Nesta edição, pela primeira vez, houve uma combinação entre avaliação técnica especializada e ferramentas de inteligência artificial.
“Nesta terceira edição, elevamos o patamar da análise técnica ao combinar o olhar de consultores especializados com ferramentas de inteligência artificial para examinar quase 10 mil páginas de relatos. O que os dados nos mostram é um amadurecimento consistente e acelerado: a transição da asseguração limitada para a razoável e a consolidação da dupla materialidade indicam que as empresas brasileiras não estão apenas relatando, mas integrando o impacto socioambiental ao valor financeiro do negócio com o mesmo rigor dedicado aos balanços contábeis”, afirmou Gilberto Longo, diretor de negócios e comunicação da Report.
Credibilidade ampliada
Submeter informações à verificação independente é uma ação das empresas que demonstra maturidade na gestão e comunicação de resultados não financeiros. O número de relatórios de sustentabilidade sem nenhum tipo de auditoria externa caiu de 26%, em 2023, para 16% em 2025. Ou seja, 84% das empresas submetem, ao menos parcialmente, seus dados para análise externa. Essa evolução evidencia o aumento do escopo de asseguração que fortalece a confiabilidade das informações.
Outro ponto que mostra o grau de maturidade do setor empresarial brasileiro é a adoção de normas e frameworks de reporte, capazes de assegurar comparabilidade e transparência nas informações. Os dados do Reporting Matters Brasil 2025 mostram que 99% das empresas utilizam ao menos uma ferramenta global. O grupo de empresas que não segue nenhuma norma era de 9%, em 2023, e atingiu o patamar de 1% em 2025.
O padrão GRI continua sendo o principal utilizado no Brasil, mas a combinação de normas tornou-se prática majoritária entre as empresas brasileiras, e demonstra que o setor empresarial está empenhado na convergência entre mercados e perspectivas globais. Nesta edição, 17% dos relatos utilizam apenas o GRI sem combinação com outras ferramentas. Em 2023, o percentual dessas empresas chegava a 35%.
Principais destaques brasileiros
O desempenho médio dos relatórios analisados manteve trajetória de crescimento ao longo do triênio. A evolução observada de 2024 para 2025 foi impulsionada principalmente pelos pilares de Estratégia, Fácil Acesso e Implementação e Controle, refletindo metas mais estruturadas, relatórios mais interativos e o aprimoramento dos processos de monitoramento e auditoria.
Embora o aumento no número de participantes e ajustes metodológicos também tenham influenciado as médias, o estudo aponta um movimento consistente de amadurecimento na forma como as empresas organizam, apresentam e acompanham suas informações de sustentabilidade.
Dentre 82 relatórios, o Reporting Matters Brasil 2025 apontou, em ordem alfabética, os quinze relatórios com mais destaque entre o grupo analisado: Ambipar, Axia Energia (ex-Eletrobras), Banco do Brasil, Bracell, Cemig, Eneva, Engie, Itaú, Marfrig, Motiva, Nexa, Petrobras, Suzano, Telefônica Vivo e Votorantim Cimentos. São relatos empresariais maduros, de empresas de diferentes setores e configurações estruturais, que obtiveram as maiores pontuações gerais nos 16 critérios e 76 subcritérios adotados.
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