Bioma e biodiversidade têm significados diferentes, mas conectados

A biodiversidade inclui a variedade de espécies, a diversidade genética dentro de uma mesma espécie e também a diversidade de ecossistemas/Imagem: Aaron Burden via Unsplash

Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal são os seis biomas continentais brasileiros. Cada um tem características próprias de clima, solo e vegetação e abriga diferentes formas de vida. Biodiversidade, por outro lado, é a variedade de vida existente nesses ambientes. Os dois conceitos estão ligados, mas não significam a mesma coisa.

Um bioma corresponde a uma grande região natural formada por diferentes ecossistemas com características semelhantes. Já a biodiversidade inclui a variedade de espécies, a diversidade genética dentro de uma mesma espécie e também a diversidade de ecossistemas.

“Quando falamos em bioma, estamos olhando para uma grande região com características ambientais próprias. Já a biodiversidade envolve a variedade de espécies, a diversidade genética e os diferentes ecossistemas presentes nesses ambientes. São conceitos diferentes, mas que estão diretamente relacionados”, explica Ana Lúcia Assad, coordenadora de Projetos, Inovação e Desenvolvimento do Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA).

Um mesmo bioma reúne diferentes ambientes

Dentro de um bioma podem existir florestas, rios, lagoas, campos, manguezais e outros ambientes. Cada um deles reúne seres vivos que interagem entre si e com elementos como água, solo, luz e temperatura.

Por isso, biodiversidade não significa apenas ter muitas espécies de plantas e animais em um lugar. “O conceito também considera as diferenças genéticas entre indivíduos de uma mesma espécie e a variedade de ecossistemas em que esses organismos vivem”, afirma Ana.

No Brasil, os seis biomas apresentam condições ambientais bastante diferentes. A Caatinga, por exemplo, tem espécies adaptadas ao clima semiárido e a períodos prolongados de seca. O Cerrado reúne formações vegetais adaptadas à sazonalidade das chuvas e ao fogo. Já a Amazônia tem clima quente e úmido, uma extensa rede de rios e uma grande diversidade de ambientes.

Essas características influenciam quais espécies conseguem viver em cada região e de que forma elas se relacionam com o ambiente. Os biomas também estão ligados à disponibilidade de água, à proteção do solo, à regulação do clima e à manutenção de diferentes formas de vida.

Conhecer é parte da conservação

Saber quais espécies existem, onde elas ocorrem e em quais ambientes são encontradas é uma das bases para acompanhar mudanças na biodiversidade e definir prioridades de conservação.

Há 25 anos, o CRIA trabalha com a organização e o acesso a informações sobre a biodiversidade. Entre suas iniciativas está o speciesLink, rede que reúne dados de coleções biológicas e instituições de pesquisa e permite consultar registros de plantas, animais, fungos e outros organismos.

“Quanto mais sabemos sobre as espécies e sobre onde elas ocorrem, mais informações temos para acompanhar mudanças e identificar áreas que precisam de atenção. Esse conhecimento é importante para orientar pesquisas e ações de conservação”, completa Ana.

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