Quem é o único brasileiro nomeado pelo papa como conselheiro sobre mudanças climáticas?

Carlos Nobre é pesquisador do Instituto de Altos Estudos da Universidade de São Paulo (Brasil)/Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O cientista brasileiro Carlos Nobre, reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre mudanças climáticas e Amazônia, foi nomeado na segunda-feira, 30 de março, pelo papa Leão XIV para integrar o dicastério responsável por temas ligados ao desenvolvimento humano no Vaticano.

A decisão foi anunciada por meio de comunicado oficial da Santa Sé. No documento, o pontífice confirma novos integrantes do organismo, equivalente a um conselho, que reúne especialistas e representantes religiosos para discutir questões sociais e humanas de relevância global.

Entre os nomes escolhidos, Nobre é o único brasileiro. A presença do pesquisador no grupo reforça a aproximação entre ciência, meio ambiente e Igreja Católica em debates sobre os desafios contemporâneos.

Em declaração sobre a nomeação, Carlos Nobre destacou a gravidade do cenário climático atual e afirmou receber a escolha com honra. Para ele, a inclusão da pauta ambiental nesse espaço de discussão mostra a mobilização da Igreja diante de um tema que afeta diretamente o futuro da humanidade.

A relação entre o pesquisador e o Vaticano não é recente. Em 2019, ele esteve em Roma durante o Sínodo da Amazônia e se reuniu com o papa Francisco. Na ocasião, conversou sobre a importância de levar a questão ambiental ao centro das reflexões da Igreja.

Além de Carlos Nobre, também foram nomeados para o dicastério representantes do México, República Democrática do Congo, Peru, Estados Unidos, Quênia, Suíça e outros países, com trajetórias ligadas à teologia, educação, justiça social, migração e ecologia.

Trajetória de Carlos Nobre

Formado em engenharia eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, Carlos Nobre tem doutorado em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology, o MIT. Desde os anos 1980, quando iniciou sua atuação no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, passou a se dedicar de forma intensa ao estudo da Amazônia.

Ao longo da carreira, tornou-se uma das principais vozes da ciência brasileira no debate climático. Entre suas contribuições mais conhecidas está a hipótese da savanização da floresta amazônica, que alerta para o risco de transformação de parte da mata em um ecossistema semelhante ao da savana em decorrência do desmatamento e do aquecimento global.

O pesquisador já recebeu outros reconhecimentos de alcance internacional. Em 2022, foi eleito membro da Royal Society, no Reino Unido, tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar esse título desde o século 19. Nobre também fez parte do grupo de cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), reconhecido com o Nobel da Paz de 2007, juntamente com o ex-vice-presidente americano e ativista climático Al Gore.

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