Marcas europeias são proibidas de destruir roupas não vendidas

Segundo estimativas da Comissão Europeia, entre 4% e 9% de peças que nunca chegam a ser usadas são destruídas anualmente, gerando cerca de 5,6 milhões de toneladas de CO₂.

A União Europeia formalizou recentemente uma proibição histórica à destruição de roupas, calçados e acessórios não vendidos pelas grandes empresas, que começará a valer a partir de 19 de julho de 2026. A medida, integrante do Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR), busca eliminar uma prática que desperdiça materiais e contribui significativamente para as emissões de gases de efeito estufa no setor têxtil.

Segundo estimativas da Comissão Europeia, entre 4% e 9% de peças que nunca chegam a ser usadas são destruídas anualmente, gerando cerca de 5,6 milhões de toneladas de CO₂, um volume quase equivalente às emissões totais da Suécia em 2021. Com a nova regra, a incineração, trituração ou descarte intencional desses estoques será vetada para grandes marcas, forçando a indústria a reimaginar como tratar os produtos que não encontram compradores.

As empresas terão de explorar alternativas como revitalização, doação, revenda ou reutilização, e também estão sendo encorajadas a melhorar a gestão de estoque e políticas de devolução para reduzir o problema na origem. A regulamentação também inclui exceções claramente definidas em casos específicos, como quando produtos estão danificados ou representam riscos à segurança, mas essas justificativas serão restritas e supervisionadas pelas autoridades nacionais.

Outro ponto importante da norma é a obrigatoriedade de transparência: a partir de fevereiro de 2027, grandes empresas deverão reportar, em formato padronizado, a quantidade de produtos não vendidos que foram descartados e os motivos para isso. Já as companhias de médio porte terão um prazo maior, até 2030, para se adaptarem a essas exigências.

A iniciativa insere-se em um esforço mais amplo da UE de acelerar a transição para uma economia verdadeiramente circular no setor da moda, que historicamente tem sido marcado por produção excessiva, baixos índices de reutilização e altos níveis de desperdício. Essa mudança regulatória também coloca pressão sobre as cadeias de valor, incentivando o desenvolvimento de modelos de negócio mais duráveis e sustentáveis que reduzam a dependência de práticas de descarte prejudiciais ao meio ambiente.

Especialistas em sustentabilidade destacam que essa proibição pode estimular uma transformação cultural e operacional profunda no setor, impulsionando desde a concepção de produtos até a forma como as marcas lidam com o fim de vida de seus itens.

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