
O Notícia Sustentável, por meio do seu editor Murilo Gitel, esteve presente na inauguração da fábrica da montadora chinesa ByD em Camaçari (BA), na quinta-feira, 9 de outubro. Com área superior a 4,6 milhões de m², equivalente a 645 campos de futebol, e investimento de R$ 5,5 bilhões, o local abrigará a estrutura fabril automotiva mais moderna e tecnológica das Américas.
A cerimônia no Polo Industrial de Camaçari reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o prefeito de Camaçari, Luiz Carlos Caetano, ministros de Estado e outras autoridades dos três Poderes.
Em seu discurso, o fundador e CEO da BYD, Wang Chuanfu, compartilhou a visão que guia a companhia globalmente e sua aplicação no Brasil. “Há 16 anos, criei os ‘Três Sonhos Verdes’ da BYD: gerar, armazenar e utilizar energia limpa. Ver esse ecossistema se tornando realidade aqui na Bahia é a materialização dessa missão”, declarou o fundador. “Há dois anos, em uma visita ao Brasil, percebi o potencial do etanol. Decidimos, então, que traríamos nossa tecnologia híbrida plug-in, mas com um motor flex desenvolvido por e para este país. O carro que entregamos hoje ao presidente Lula é a prova de que a BYD não apenas investe no Brasil, mas cocria com o Brasil soluções únicas para o mundo”.
Montado no Brasil, o primeiro carro super-híbrido plug-in com motor flex do mundo é um BYD Song Pro em edição especial e limitada, que homenageia a COP30, conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas que será realizada no mês que vem, em Belém (PA).

Executivos globais e regionais da companhia também estiveram presentes, incluindo Stella Li, vice-presidente executiva global e CEO da BYD para Américas e Europa; Tyler Li, CEO da BYD Brasil; e Alexandre Baldy, vice-presidente sênior e Head Comercial e de Marketing da BYD Brasil.
Operações iniciadas
Localizado na nova Avenida BYD, mudança de nome aprovada na Assembleia Legislativa da Bahia, o complexo já iniciou suas operações. Com capacidade para produzir 150 mil veículos por ano em sua primeira fase e 300 mil na etapa posterior, a fábrica emprega, atualmente, mais de 1,5 mil colaboradores. Trata-se da maior unidade produtora de veículos elétricos da América Latina e a maior instalação da BYD fora da Ásia. Quando concluído, o complexo realizará a fabricação completa dos principais modelos da marca.
Durante reunião com o presidente Lula, Chuanfu anunciou um novo investimento para ampliar a fábrica e dobrar a capacidade de produção anual, saindo dos previstos 300 mil veículos para até 600 mil unidades por ano. “Qual foi a grande surpresa? Eu vim para cá porque essa empresa iria produzir 300 mil carros por ano e ele [Wang Chuanfu, presidente da BYD] anunciou que logo, logo a gente vai estar produzindo 600 mil carros por ano aqui na Bahia! Porque eles não querem vender carro apenas no Brasil”, revelou Lula.
Agora, com a nova projeção anunciada pelo fundador da empresa, a meta é acelerar o ritmo de entrega das obras e cumprir a promessa de estar entre as três maiores montadoras do país até 2028 e chegar ao topo do ranking até 2030.
Construída em tempo recorde, a primeira fábrica foi erguida em 15 meses, transformando o antigo terreno da Ford em um centro automotivo de ponta, com maquinário de última geração e 100% conectado.
“Estamos muito orgulhosos de trazer ao Brasil a tecnologia que o parque fabril nacional merece, com o que há de mais moderno em produção de veículos. Esta data ficará gravada para sempre na história do país como o dia em que uma companhia teve a coragem de fabricar carros eletrificados no Brasil e no Nordeste. A BYD acredita no potencial de expansão do mercado brasileiro, tem planos de longo prazo para uma população que merece veículos cada vez melhores e seguirá investindo para ajudar a aquecer a economia, gerar empregos e qualificar a força de trabalho”, celebrou Stella Li.
14º milionésimo veículo
A cerimônia também celebrou a produção do veículo de número 14 milhões da companhia no mercado global, uma edição exclusiva do BYD Song Pro, modelo que figura entre os eletrificados mais vendidos no país.
“Após dois anos de esforço de mais de 100 engenheiros chineses e brasileiros, hoje nosso 14º milionésimo veículo sai da linha de produção equipado com o primeiro motor híbrido plug-in dedicado a biocombustível do mundo. Isso não é apenas um avanço tecnológico — é uma solução verde e sustentável feita sob medida para o Brasil”, declarou Chuanfu.

O BYD Song Pro Edição Especial COP30 conta com o sistema super-híbrido plug-in flex, inédito no mundo. Sua edição limitada de 30 unidades será doada à COP30 e, posteriormente, à instituições educacionais do Pará.
Tecnologia super-híbrida flex fuel
Este é o primeiro motor flex do mundo aplicado em uma arquitetura híbrida plug-in de base elétrica. O BYD Song Pro conta com a tecnologia DM-i (Dual Mode Intelligent), que o caracteriza como um veículo super-híbrido, com tração predominantemente elétrica. Nesse sistema, o motor a combustão funciona majoritariamente como um gerador de energia para a bateria, mesmo durante o deslocamento no modo híbrido. O resultado é uma experiência de condução muito próxima na comparação com um veículo totalmente elétrico.
O sistema foi projetado e construído especialmente para o Brasil, fruto da cooperação entre cientistas chineses e brasileiros. Desenvolvido para funcionar com qualquer proporção de gasolina e etanol, que é o combustível verde mais emblemático do país, o motor 1,5 litro do BYD Song Pro integra um conjunto que, combinado à tecnologia elétrica da greentech, oferece alto desempenho e eficiência.
“O etanol é um dos maiores diferenciais estratégicos do Brasil na transição energética. Incorporá-lo à nossa arquitetura DM-i representa um avanço histórico: valorizamos a matriz renovável nacional, nossa produção e o agronegócio, além de oferecermos ao consumidor um veículo com maior eficiência, menor impacto ambiental e alinhado à realidade energética do país. É um passo crucial para consolidar o Brasil como protagonista global em mobilidade sustentável”, destacou Tyler LI, presidente da BYD do Brasil.
Desorganização
Apesar da importância do evento, a desorganização liderada pelo cerimonial da Presidência da República foi o ponto negativo na inauguração da fábrica da ByD no Brasil. Jornalistas de todo o país que foram convidados para cobrir a cerimônia registraram problemas desde o credenciamento, realizado por apenas duas pessoas, o que gerou uma fila imensa e muito descontentamento.
O evento também registrou atraso de duas horas em relação ao horário previamente determinado, sendo que os jornalistas foram alocados em um ambiente distante do palco principal e com baixa ventilação. Além disso, não houve possibilidade de realizar um tour pela fábrica e, tampouco, foi disponibilizado almoço para os profissionais presentes.






