
Plantar uma árvore pode significar muito mais do que ampliar uma área verde. Em sistemas agroflorestais, árvores, hortaliças, plantas medicinais e outras espécies convivem no mesmo espaço, formando ambientes produtivos que ajudam a recuperar o solo, ampliar a biodiversidade e aproximar a produção de alimentos das cidades.
É esse modelo que o Instituto Nova Era de Desenvolvimento Socioambiental (INE) vem colocando em prática em diferentes territórios de São Paulo por meio do projeto Florestas Produtivas na Bacia do Tamanduateí, realizado em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
No Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro, a experiência chama atenção para uma forma de pensar o plantio que vai além do reflorestamento convencional: a árvore passa a fazer parte de um sistema que também produz alimento, recupera áreas degradadas e fortalece as comunidades do entorno.
Árvores nativas
Desde o segundo semestre de 2025, 386 árvores nativas já foram plantadas pelo projeto, sendo cerca de 40% de espécies frutíferas. Araçá-do-campo, pitanga, cereja-do-rio-grande, grumixama, mamão e amora já fazem parte dos sistemas implantados e, de acordo com o ciclo de cada espécie, começam a produzir frutos.
Mas a floresta produtiva não termina nas árvores. Junto ao plantio, já foram cultivadas 3.945 mudas de alimentos, entre hortaliças, temperos e legumes, que são distribuídos semanalmente às famílias das regiões atendidas e também utilizados no preparo da alimentação oferecida durante as formações realizadas pelo projeto.
Os sistemas também contam com 1.970 mudas de plantas medicinais, como lavanda, alecrim e erva-cidreira, ampliando a diversidade e as possibilidades de uso dos espaços.
“O diferencial de uma agrofloresta urbana é justamente não separar a recuperação ambiental da vida das pessoas. A árvore está ali para recuperar o solo, criar biodiversidade e devolver espaços regenerados para a comunidade, mas também pode estar inserida em um sistema que produz alimentos e gera conhecimento para a comunidade”, explica Viviane Mendonça, gerente gestora executiva do Instituto Nova Era.
O projeto atua em territórios como a Zona Leste de São Paulo e o ABC Paulista, com implantação de sistemas agroflorestais, formação de moradores, educação ambiental e produção de alimentos. Entre as ações estão a criação de viveiros, plantio de espécies nativas e produtivas, capacitações gratuitas e atividades voltadas à disseminação de práticas sustentáveis.
O Florestas Produtivas na Bacia do Tamanduateí teve início em 2025 e seguirá até 2028, com ações de regeneração ambiental, implantação de agroflorestas urbanas, formação comunitária e produção de alimentos em diferentes territórios.






