
Florianópolis passou a integrar uma lista inédita da Organização das Nações Unidas que reúne 20 cidades do mundo reconhecidas por ações concretas para reduzir a geração de lixo e aprimorar a gestão de resíduos. A capital de Santa Catarina é a única representante do Brasil na seleção.
A iniciativa global busca dar visibilidade a municípios que já colocam em prática soluções para enfrentar um dos principais desafios ambientais das áreas urbanas: o crescimento contínuo da produção de resíduos sólidos.
Além de Florianópolis, a lista inclui cidades como São Francisco, nos Estados Unidos, Bolonha, na Itália, e Kuala Lumpur, na Malásia. Embora atuem em contextos diferentes, elas têm em comum a adoção de estratégias para diminuir o volume de descarte e ampliar a reutilização de materiais.
Reconhecimento internacional reforça trajetória da cidade
A presença de Florianópolis na lista reflete um movimento que a cidade vem consolidando há alguns anos por meio de políticas públicas voltadas à redução do lixo enviado aos aterros sanitários e ao fortalecimento do reaproveitamento de resíduos.
Em 2018, o município adotou oficialmente o conceito de lixo zero, baseado na ideia de que grande parte do que hoje é descartado poderia ser reciclada, compostada ou reinserida em novos ciclos de uso.
Desde então, a cidade passou a estruturar metas formais para reduzir a destinação de resíduos a aterros, com atenção especial à fração orgânica, que pode ser transformada em adubo, e aos materiais recicláveis.
Na prática, essa estratégia envolve programas de compostagem, ampliação de pontos de coleta e iniciativas voltadas à separação correta do lixo em casas, condomínios e outros espaços urbanos.
Lista reúne cidades de diferentes regiões do mundo
Os 20 municípios selecionados pela ONU são:
Accra, em Gana
Bolonha, na Itália
Chefchaouen, no Marrocos
Dar es Salaam, na Tanzânia
Dehiwala, no Sri Lanka
Florianópolis, no Brasil
Gaziantep, na Turquia
George Town, na Malásia
Hangzhou, na China
Iloilo City, nas Filipinas
Kisumu, no Quênia
Kuala Lumpur, na Malásia
Lilongwe, no Malaui
San Fernando, nas Filipinas
São Francisco, nos Estados Unidos
Sanya, na China
Suzhou, na China
Varkala, na Índia
Yokohama, no Japão
Zapopan, no México
Crescimento do lixo urbano preocupa o mundo
O reconhecimento ocorre em meio ao avanço da preocupação internacional com a geração de resíduos sólidos urbanos. Segundo a ONU, o mundo produz mais de 2,1 bilhões de toneladas desse tipo de resíduo por ano, volume impulsionado pela urbanização e pelo aumento do consumo.
Esse cenário gera impactos diretos sobre o clima, a biodiversidade e a saúde pública. Também afeta com mais intensidade populações que vivem próximas a lixões ou que dependem da coleta informal de recicláveis como fonte de renda.
Entre as práticas destacadas pela organização estão compostagem de resíduos orgânicos, programas de reciclagem com participação de catadores, sistemas de reutilização e recarga de embalagens, além de políticas para reduzir o uso de produtos descartáveis.
Avanços existem, mas cenário brasileiro ainda é desigual
Apesar de experiências positivas em alguns municípios, a realidade brasileira ainda é marcada por desigualdades na gestão de resíduos. Em muitas cidades, persistem dificuldades para ampliar a coleta seletiva, combater o descarte irregular e garantir destinação adequada ao lixo.
Para José Manuel Moller, vice-presidente do conselho consultivo da ONU sobre lixo zero, o diferencial das cidades selecionadas está menos nos planos apresentados e mais na capacidade de executar mudanças concretas.
Segundo ele, essas cidades se destacam por transformar ambição em ação e por mostrar, na prática, que o conceito de lixo zero pode sair do discurso e ganhar escala local.
Soluções também podem gerar inovação e valor econômico
A diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Inger Andersen, avalia que enfrentar a poluição e os resíduos não é apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade para repensar a economia com base em inovação, circularidade e equidade.
Já Anacláudia Rosbach, diretora-executiva do ONU-Habitat, destaca o papel estratégico das cidades nesse processo. Para ela, políticas públicas consistentes e parcerias bem estruturadas são fatores decisivos para acelerar a transição para sistemas urbanos mais resilientes e sustentáveis.
A lista completa será apresentada oficialmente nesta segunda-feira, Dia Internacional do Lixo Zero, e deve servir de referência para outras cidades interessadas em avançar na agenda de resíduos.






