
Na busca por diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e para corresponder à crescente exigência de sustentabilidade, empresas brasileiras vêm adotando diferentes estratégias para mostrar engajamento na luta contra as mudanças climáticas. Uma dessas estratégias é participar do Índice Carbono Eficiente (ICO2 B3), formulado por companhias que divulgam suas emissões.
De acordo com informações do portal UOL, desde sua criação, em 2010, até dezembro de 2024, o ICO2 teve valorização de 92,78%, superando o Ibovespa, que subiu 72,89%. Em julho deste ano, o índice reunia 59 empresas, com valor de mercado de R$ 2,29 trilhões.
Entre os casos exemplares está o da Vivo, que implementou o programa “Vivo Recicle”, no qual todo o lixo eletrônico recolhido nas lojas é destinado à produção de novos equipamentos. Até 2024, foram coletados 37 toneladas, um aumento de 208 % em relação ao ano anterior. Em 2025, até maio, o programa já havia reunido 29 toneladas, o equivalente ao peso de aproximadamente 30 carros populares.
O Brasil, signatário do Acordo de Paris (2015), tem a meta de limitar o aumento da temperatura global a abaixo de 2 °C, com esforço para mantê-la abaixo de 1,5 °C. Em novembro de 2024, entregou à ONU uma meta de redução de emissões entre 59 % e 67 % até 2035, em relação a 2005.
Descarbonização da indústria
Ainda no ano passado foi lançado o programa Nova Indústria Brasil (NIB), com foco na industrialização e descarbonização da indústria. Dos R$ 205 bilhões alocados ao NIB, R$ 17 bilhões foram destinados por meio do BNDES para promover essa transição até maio deste ano.
As empresas têm adotado diversas soluções para atingir essas metas, como a substituição da matriz energética por fontes renováveis, a aquisição de créditos de carbono, projetos de reflorestamento e o reaproveitamento de resíduos. Um exemplo inovador é o Ambiálcool, da Ambipar, que transforma sobras de alimentos com alto teor de açúcar (como balas, chocolates, biscoitos e macarrão) em etanol. São aproveitadas entre 500 e 600 toneladas de resíduos por mês do Grupo Mondelez, e a produção chega a até 240 mil litros.
Outra iniciativa promissora é o desenvolvimento de hidrogênio verde a partir de etanol, conduzido pela USP em parceria com a Shell e outras instituições. Conforme destaca o professor Julio Meneghini (coordenador do RCGI-USP), o hidrogênio pode ser utilizado como célula de combustível no setor automotivo, oferecendo alta eficiência, além de já ser aplicado em motores de combustão para descarbonizar. Essa tecnologia representa uma nova fonte de renda e uma indústria emergente para o país.






