Educação ambiental que gera mudança não acontece só na escola: o papel das entidades gestoras

Durante muito tempo, a educação ambiental foi tratada como um tema restrito ao ambiente escolar.
Embora a escola tenha, sim, um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes, a realidade mostra que o conhecimento, por si só, não é suficiente para mudar comportamentos.
A verdadeira transformação acontece quando a informação se conecta diretamente com a vida cotidiana das pessoas e com as consequências reais de suas escolhas, o que pode ser proporcionado pelas entidades gestoras da área.
Falar sobre educação ambiental hoje exige ir além de conceitos abstratos. É preciso mostrar, de forma concreta, o impacto que o descarte incorreto de eletroeletrônicos e eletrodomésticos causa ao meio ambiente e à saúde humana. Substâncias tóxicas presentes nesses produtos podem contaminar o solo, a água e o ar, afetando ecossistemas inteiros e expondo populações a riscos silenciosos, mas graves. Esse é o ponto central que precisa ser compreendido pelo cidadão.
Mais do que explicar onde descartar um equipamento ou o que acontece com ele depois que sai da casa do consumidor, é fundamental deixar claro o que ocorre quando esse descarte é feito de forma inadequada e como atitudes individuais se somam a um problema coletivo. Quando essa relação de causa e efeito se torna visível, a educação ambiental deixa de ser teórica e passa a gerar engajamento real.
Nesse contexto, o conceito extrapola os muros da escola e passa a acontecer na prática, no cotidiano. Ele se materializa quando o consumidor encontra informações claras, quando tem acesso a sistemas estruturados de logística reversa e quando percebe que existe um caminho viável para fazer a escolha correta. Informação sem infraestrutura disponível gera frustração; infraestrutura sem comunicação gera desconhecimento. É a combinação dos dois que transforma comportamentos.
Por isso, as entidades gestoras exercem um papel decisivo nesse processo ao conectar política pública, setor produtivo e sociedade. Ao estruturar sistemas que funcionam de fato, elas tornam possível que o discurso ambiental se converta em ação concreta. Cada ponto de coleta, cada campanha de conscientização e cada orientação clara ao consumidor são, também, ferramentas de educação ambiental aplicada.
Outro aspecto essencial é a construção de confiança. Quando as pessoas entendem que seus resíduos terão uma destinação ambientalmente adequada e segura, inclusive do ponto de vista da saúde pública, elas se sentem parte da solução. Essa confiança é construída com transparência, consistência e resultados, elementos indispensáveis para qualquer política ambiental que pretenda ser efetiva.
Educação ambiental, portanto, não se resume a ensinar o que é certo ou errado. Trata-se de criar condições para que o cidadão compreenda os impactos das suas escolhas e consiga agir de forma responsável. Em um cenário de desafios ambientais cada vez mais complexos, promover essa consciência prática é tão importante quanto qualquer conteúdo ensinado em sala de aula.
Se queremos avançar rumo a um modelo de desenvolvimento mais sustentável, precisamos reconhecer que educar também é viabilizar. E que a mudança de comportamento nasce quando informação, estrutura e responsabilidade caminham juntas.
*Robson Esteves– Presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
Publicado em 04/02/2026
Como a reciclagem de eletroeletrônicos deve evoluir no Brasil em 2026

O início de 2026 inaugura um período importante para a cadeia de reciclagem de eletroeletrônicos e eletrodomésticos no Brasil. O setor tem evoluído de forma consistente, impulsionado por avanços tecnológicos, ampliação de infraestrutura e maior integração entre os diferentes atores envolvidos.
À medida que a sociedade se torna mais conectada e dependente de equipamentos eletroeletrônicos, cresce também a necessidade de fortalecer modelos de gestão que garantam a destinação ambientalmente adequada desses produtos ao final de sua vida útil.
Nesse cenário, algumas tendências se destacam e devem orientar o debate e as iniciativas ao longo do ano.
Avanço tecnológico e crescimento do descarte
A rápida evolução tecnológica permanece como um dos fatores determinantes do setor. Em um ambiente cada vez mais digitalizado, a substituição de equipamentos segue seu curso natural, gerando um fluxo constante de eletroeletrônicos e eletrodomésticos descartados. Esse movimento reforça a importância de manter estruturas acessíveis, eficientes e distribuídas pelo território nacional.
A consolidação de pontos de recebimento, o fortalecimento das rotas logísticas e a maior interação entre diferentes elos da cadeia devem continuar contribuindo para que o volume crescente de resíduos seja tratado com segurança e eficiência.
Educação ambiental como agente de transformação
Entre as tendências mais relevantes para 2026 está a intensificação das ações de educação ambiental conduzidas por diferentes segmentos da sociedade. O conhecimento sobre descarte adequado, impacto ambiental e funcionamento do processo de reciclagem tem influenciado positivamente a participação da população.
A ampliação de iniciativas educativas, seja em escolas, empresas, municípios ou espaços comunitários, contribui para aproximar o consumidor da rede de recebimento, favorecendo a destinação correta e o fortalecimento da economia circular.
Expansão das parcerias e maior articulação institucional
A colaboração entre indústrias, varejistas, distribuidores, municípios, operadores logísticos e entidades especializadas segue como uma característica essencial da evolução do setor. Em 2026, a tendência é que novas parcerias territoriais se consolidem, ampliando o acesso da população aos pontos de recebimento e fortalecendo a infraestrutura local de reciclagem.
Esse movimento tem sido fundamental para levar soluções à regiões que antes tinham menor cobertura, avançando na direção de uma rede cada vez mais capilarizada.
Inovação e rastreabilidade para mais eficiência
A digitalização da cadeia de reciclagem deve ganhar ainda mais espaço ao longo deste ano. Sistemas de rastreabilidade, automação industrial, monitoramento de indicadores e ferramentas de gestão integrada vêm se tornando parte do dia a dia de operadores e gestores.
Essas tecnologias aumentam a eficiência, melhoram o controle sobre os fluxos de resíduos e fortalecem a transparência, aspectos que contribuem para a maturidade do setor e para a qualidade dos processos de reciclagem.
Valorização dos materiais e estímulos à economia circular
A demanda global por materiais recuperados, especialmente metais e componentes utilizados em novas tecnologias, deve continuar impulsionando a cadeia de reciclagem. A valorização desses insumos amplia a relevância econômica do setor, favorecendo investimentos e estimulando o desenvolvimento de soluções mais modernas e sustentáveis.
À medida que 2026 avança, o Brasil se encontra em um momento de consolidação importante na gestão dos resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos. O fortalecimento da infraestrutura, a expansão das parcerias e o avanço das tecnologias formam a base para um setor cada vez mais integrado, eficiente e preparado para os desafios futuros.
A ABREE seguirá contribuindo tecnicamente para esse processo, articulando esforços entre indústria, varejo, municípios e operadores, com o compromisso de apoiar modelos de gestão que promovam desenvolvimento, circularidade e benefícios ambientais para o país.
*Robson Esteves– Presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
Publicado em 13/01/2026.
Sustentabilidade se consolida como agenda estratégica em 2025

O ano de 2025 ficará marcado como um momento decisivo para a sustentabilidade no Brasil. Com a realização da COP30 no país, a agenda ambiental ganhou ainda mais destaque no cenário nacional, evidenciando a urgência de práticas que promovam a economia circular e a gestão adequada de resíduos.
Entre os desafios, o tratamento e a destinação de eletroeletrônicos e eletrodomésticos descartados continuam sendo questões importantes, tanto pelo impacto ambiental quanto pelo potencial de reaproveitamento de materiais.
Nesse cenário, iniciativas que unem educação, conscientização e logística reversa se tornam fundamentais. A ABREE, como associação voltada à logística reversa de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, desempenhou um papel ativo em 2025, oferecendo exemplos concretos de como teoria e prática podem caminhar juntas.
Campanhas de arrecadação em formato drive-thru, curso online de economia circular para profissionais e estudantes e projetos de educação ambiental em parceria com escolas públicas e privadas mostraram que é possível mobilizar a sociedade, gerar conhecimento e estimular hábitos sustentáveis desde cedo.
Além disso, a ABREE participou de eventos estratégicos, como a Eletrolar Show e a Bienal do Lixo, promovendo debates sobre o ciclo de vida dos produtos e oferecendo aos visitantes oportunidades de descarte responsável. Essas ações não apenas ampliam a conscientização, mas também contribuem para consolidar a logística reversa como uma prática de relevância nacional, alinhando esforços do setor privado, governo e sociedade civil.
Apesar dos avanços, os desafios persistem. O Brasil ainda precisa expandir sua infraestrutura de coleta e reciclagem, aprimorar regulamentações e fortalecer a cultura de consumo consciente. Projetos de educação ambiental, campanhas de conscientização e iniciativas como as promovidas pela ABREE são peças-chave para transformar intenções em resultados concretos, promovendo uma economia circular de forma integrada à vida das pessoas.
O ano de 2025 mostrou que sustentabilidade não é apenas uma pauta global, mas também uma responsabilidade coletiva. A atuação de organizações comprometidas com a logística reversa, como a ABREE, evidencia que é possível unir conhecimento, mobilização social e prática efetiva, consolidando o Brasil como protagonista no debate ambiental e preparando o caminho para novos avanços nos próximos anos.
*Robson Esteves – Presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
Publicado em 04/12/2025.
COP30: Como o evento pode ser crucial para um futuro mais sustentável?

Com a COP30 se aproximando, as expectativas para o evento estão cada vez mais altas. Discutir a importância de combater as mudanças climáticas é essencial, e sediar a conferência no Brasil representa uma oportunidade única para o país se consolidar no centro desse debate.
É o momento de assumir o protagonismo e liderar ações concretas em prol do clima, inspirando outras nações em uma etapa decisiva para o futuro da humanidade.
Uma das maiores expectativas em torno da COP30 está na adesão de mais países-chave nas negociações. Além disso, cresce a urgência de que órgãos científicos e a própria sociedade tenham voz mais ativa e poder real de decisão nas políticas climáticas.
Embora o cenário global seja alarmante, uma pesquisa do Instituto Locomotiva revela que 90% dos brasileiros acreditam que a COP30 trará impactos positivos no enfrentamento da crise climática. O dado mostra que, mesmo diante das dificuldades, ainda há esperança e confiança na capacidade de transformar esse cenário.
Pensando nisso, também é importante frisar que o setor privado tem um papel fundamental na tomada de decisão e na responsabilidade climática. Mas, o que parece ser um desafio pode ser também uma oportunidade para indústrias e empresas, até mesmo para o próprio Brasil. Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 54% dos industriais brasileiros consideram a COP30 relevante, avaliando que o evento trará um impacto positivo ou muito positivo para o setor.
De fato, o primeiro passo para que a mudança aconteça é o diálogo, e a COP30 representa exatamente esse espaço de escuta, troca e construção coletiva. No entanto, mais do que debates, o que o mundo precisa são compromissos concretos.
Nesse contexto, a participação ativa da sociedade é indispensável. Cada pessoa tem um papel essencial ao adotar práticas sustentáveis no dia a dia, como o consumo consciente e o descarte adequado de resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos. São atitudes simples, mas que, em larga escala, promovem transformações reais.
É fundamental compreender que as grandes transformações necessárias para conter a crise climática não acontecem de forma imediata. Elas exigem consistência, planejamento e persistência. Mudanças de hábito, por menores que pareçam, são a base de uma transição sustentável e duradoura. É a constância dessas práticas, individuais e coletivas, que pavimentará o caminho para um futuro mais equilibrado e resiliente.
Assim, a principal expectativa em torno da COP30 vai além das negociações diplomáticas: ela terá o poder de resgatar a esperança, inspirar uma verdadeira mudança de mentalidade e gerar uma maior conscientização da sociedade em relação à redução de práticas poluentes.
O evento representa uma oportunidade para que o Brasil e o mundo adotem uma nova postura diante da crise climática, baseada em ações eficazes e contínuas, impulsionadas tanto pela liderança global quanto pela consciência individual. Somente a união entre política, ciência, iniciativa privada e engajamento social poderá tornar possível a construção de um futuro realmente sustentável.
*Robson Esteves – Presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
Publicado em 10/11/2025
Consumo Consciente é compromisso de todos

No Brasil, onde o consumo de eletroeletrônicos cresce a cada ano e gera milhões de toneladas de resíduos, o Dia do Consumo Consciente, celebrado em 15 de outubro, reforça a necessidade de um compromisso coletivo.
A data evidencia que consumidores, governo e, principalmente, a indústria, precisam atuar em conjunto para transformar esse cenário e construir um futuro sustentável. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), globalmente apenas cerca de 22,3% da massa anual de resíduos eletroeletrônicos foi coletada e reciclada adequadamente em 2022.
Esse contexto torna ainda mais relevante o avanço da logística reversa no Brasil. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos (SINIR), a coleta de resíduos eletroeletrônicos no Brasil saltou de 1.960 toneladas em 2021 para quase 20 mil em 2022.
Esse crescimento também se reflete nos resultados da ABREE. Segundo o Relatório de Sustentabilidade e Resultados de Logística Reversa de 2023, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, por meio do SINIR, a associação destinou de forma ambientalmente adequada 46.778 toneladas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos em 2023, superando a meta de 6% estabelecida para o ano. Esses resultados demonstram que, embora ainda haja muito a fazer, os esforços já começam a gerar frutos concretos.
Além de indicar a quantidade de resíduos coletados, o SINIR funciona como uma fonte oficial para compreender como a logística reversa é regulamentada no país. Para os consumidores que buscam por empresas comprometidas com a sustentabilidade, é possível acessar a lista oficial de companhias aderentes às entidades gestoras de logística reversa de eletroeletrônicos, eletrodomésticos e seus componentes de uso doméstico.
No sistema, também é possível consultar as responsabilidades compartilhadas entre fabricantes, comerciantes, importadores e consumidores, além de acompanhar dados atualizados sobre o desempenho da política de resíduos sólidos.
O acesso a essas informações auxilia tanto empresas que desejam atuar em conformidade com a legislação quanto cidadãos que buscam opções seguras e confiáveis para o descarte correto de produtos. Ao mesmo tempo, reforça a importância de as empresas estarem integradas às entidades gestoras e ao sistema de logística reversa, evidenciando que os consumidores valorizam cada vez mais negócios comprometidos com a sustentabilidade.
Uma pesquisa da Descarbonize Soluções (2024) reforça esse cenário: 66% dos brasileiros afirmam se engajar em ações sustentáveis, e 70% consideram o comprometimento ambiental das marcas um critério relevante na hora de decidir uma compra.
Nesse contexto, iniciativas como as da ABREE (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos) tornam-se fundamentais. A entidade reúne hoje mais de 55 empresas associadas e disponibiliza mais de 4 mil pontos de recebimento em todas as regiões do país, oferecendo ao consumidor opções seguras e acessíveis para o descarte correto durante todo o ano.
No entanto, o consumo consciente vai além das escolhas individuais. Ele depende da ação coordenada de toda a sociedade. Se, de um lado, a população precisa adotar hábitos mais responsáveis, de outro, é essencial que a indústria assuma seu protagonismo, enquanto o poder público fortalece políticas e infraestrutura que viabilizem a reciclagem em escala.
As fabricantes têm papel central nesse processo. Investir em design sustentável, com o uso de plásticos reciclados em eletrodomésticos; apostar em eficiência energética, reduzindo o consumo de eletricidade; adotar o design para desmontagem, que facilita a recuperação de componentes valiosos; e apoiar a logística reversa por meio de parcerias com entidades gestoras são compromissos essenciais para reduzir impactos ambientais. Essa corresponsabilidade garante a circularidade dos produtos e fortalece toda a cadeia da economia circular.
Neste Dia do Consumo Consciente, a mensagem é clara. Somente pela união entre indústria, varejo, governo e sociedade conseguiremos avançar rumo a uma economia circular sólida, capaz de transformar desafios ambientais em oportunidades de desenvolvimento sustentável. O consumo consciente começa com cada escolha, mas só se transforma em futuro sustentável quando todos atuam juntos.
*Robson Esteves – Presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
Publicado em 07/10/2025
Campanhas de arrecadação mobilizam a sociedade para a reciclagem de eletroeletrônicos e eletrodomésticos

A crescente presença de eletroeletrônicos e eletrodomésticos em nosso cotidiano tem gerado um desafio proporcional: o descarte correto desses equipamentos ao final de sua vida útil. Nesse cenário, as campanhas de arrecadação desempenham um papel fundamental, aproximando a população da prática da reciclagem e incentivando hábitos mais sustentáveis.
A ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos – tem atuado intensamente nesse campo, organizando campanhas em parceria com prefeituras e empresas em diversas regiões do Brasil. Essas ações vão além de simples pontos de recebimento de produtos: representam oportunidades concretas de levar informação, consciência ambiental e serviços acessíveis às comunidades.
Apesar do avanço da coleta seletiva em muitas cidades, ainda existem dúvidas sobre onde e como descartar corretamente produtos como televisores, computadores, celulares, micro-ondas e outros itens. O consumidor, muitas vezes, deseja fazer a coisa certa, mas encontra obstáculos logísticos e falta de informação. É nesse contexto que as campanhas se tornam decisivas.
O relatório da União Internacional de Telecomunicações e do Instituto das Nações Unidas destaca que os 62 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos gerados em 2022 correspondem a 1,5 milhão de caminhões de 40 toneladas, quantidade suficiente para dar uma volta completa na linha do Equador. O documento prevê um declínio na taxa de coleta e reciclagem documentada, de 22,3% em 2022 para 20% em 2030, devido à lacuna cada vez maior entre os esforços de reciclagem e o crescimento exponencial da geração de lixo eletrônico. Esse cenário evidencia a urgência de ampliar soluções para a logística reversa de eletroeletrônicos.
Mais do que uma questão de praticidade, trata-se de um compromisso com o meio ambiente. Eletroeletrônicos e eletrodomésticos contêm substâncias que, se descartadas de forma inadequada, podem causar sérios danos à natureza e à saúde pública. Por outro lado, quando reciclados corretamente, esses produtos retornam à cadeia produtiva por meio da economia circular, permitindo o reaproveitamento de materiais e reduzindo a extração de recursos naturais.
As ações da ABREE estão alinhadas à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), que estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, e ao Decreto nº 10.240/2020, que regulamenta a logística reversa desses equipamentos. Nesse contexto, fabricantes, importadores, comerciantes, distribuidores e consumidores têm papéis interdependentes. A ABREE atua como elo entre esses agentes, viabilizando soluções eficazes e em conformidade com a legislação.
Com formatos variados, incluindo eventos drive-thru, que permitem a entrega dos produtos sem sair do carro, essas campanhas têm alcançado resultados expressivos. No primeiro semestre de 2025, a ABREE realizou seis campanhas presenciais de arrecadação em cidades como Uberaba (MG), Teófilo Otoni (MG), Jaú (SP), Londrina (PR), Porto Alegre (RS) e Presidente Prudente (SP). Essas ações itinerantes ampliam o acesso ao descarte ambientalmente correto, especialmente em regiões onde o consumidor ainda encontra dificuldade para encontrar pontos fixos de entrega.
Em paralelo às campanhas, a associação mantém mais de 4,2 mil pontos de recebimento em todo o país, que podem ser consultados facilmente pelo site da ABREE, com base no CEP do usuário. Assim, o processo de descarte adequado pode acontecer a todo momento.
Mais do que números, essas iniciativas promovem uma mudança cultural: ao tornar o descarte correto mais acessível, contribuem para a construção de uma sociedade mais consciente, conectada aos princípios da sustentabilidade e da responsabilidade ambiental.
Acreditamos que a transformação começa no gesto individual. E, quando esse gesto é apoiado por estruturas coletivas bem-organizadas, como as campanhas da ABREE, ele se torna ainda mais poderoso.
*Robson Esteves – presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
O descarte responsável de eletroeletrônicos e eletrodomésticos é essencial para o meio ambiente e começa nos pontos de recebimento

O setor de eletroeletrônicos e eletrodomésticos vem se destacando no cenário nacional. Em 2024, atingiu o melhor desempenho da última década, com um aumento de 29% nas vendas, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).
Esse crescimento reflete o avanço tecnológico, a ampliação do acesso ao consumo e a constante renovação de equipamentos nos lares brasileiros. No entanto, esse movimento também traz um desafio: qual o destino correto para os produtos quando deixam de funcionar ou são substituídos?
O descarte ambientalmente adequado é uma ação com impacto direto na sociedade e é nesse contexto que os pontos de recebimento se tornam essenciais. Criados como parte do sistema de logística reversa, esses pontos estão espalhados por diversas regiões do país e são preparados para receber eletroeletrônicos e eletrodomésticos no final da vida útil de forma segura, acessível e gratuita.
Ao descartar um produto nesses locais, o consumidor contribui para uma cadeia estruturada que evita o descarte irregular, reduz riscos à saúde pública e ainda impulsiona a economia circular. Isso porque, ao serem recolhidos, os equipamentos são encaminhados para processos especializados de desmontagem e reciclagem, nos quais materiais como plásticos, metais e vidros são reaproveitados para a fabricação de novos produtos. Esse reaproveitamento reduz a necessidade de extração de matéria-prima virgem, diminui emissões de gases de efeito estufa e economiza energia.
Outro aspecto essencial desse processo é a prevenção de danos ambientais graves. Alguns eletroeletrônicos contêm substâncias como mercúrio, chumbo e cádmio, que podem contaminar o solo e a água se forem descartados em locais inadequados. Portanto, dar o destino certo a esses itens significa também proteger o meio ambiente e preservar recursos naturais.
Mas os benefícios não param por aí. A destinação correta que se inicia com os consumidores entregando seus equipamentos nos pontos de recebimento também gera emprego e renda, fortalecendo uma cadeia produtiva que envolve desde a coleta até a reciclagem.
É um modelo que estimula a inovação e a indústria completamente alinhado aos preceitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), além dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Por isso, antes de descartar um equipamento no seu final de vida útil, é fundamental refletir sobre o impacto dessa atitude. Cada produto depositado corretamente em um ponto de recebimento representa um passo concreto em direção a um futuro mais sustentável e equilibrado.
*Robson Esteves – presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
O protagonismo dos consumidores na reciclagem dos eletroeletrônicos e eletrodomésticos

A tecnologia muda constantemente e, por isso, as pessoas têm trocado produtos com mais frequência comparando com alguns anos atrás.
Se olharmos por esse ponto de vista, o Brasil está na liderança da produção de resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos na América do Sul.
Segundo um estudo feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2022, contribuímos com 2,4 milhões de toneladas no ano em questão.
Diante desse cenário, é importante que o consumidor saiba identificar quais produtos eletroeletrônicos pós-consumo podem ser destinados para a reciclagem ambientalmente correta. Essa categoria é ampla e engloba uma série de equipamentos que estão presentes em nossa rotina. Explicando com mais detalhes: qualquer produto de uso doméstico pós-consumo estará apto para ser recebido em um ponto de recebimento para logística reversa.
Tais equipamentos são constituídos de materiais importantes como plástico, vidro, metais etc. Esses resíduos podem ser reciclados e transformados em matéria-prima novamente, reduzindo a extração de recursos naturais. Além disso, possuem substâncias altamente tóxicas como chumbo, cádmio, mercúrio, entre outros, capazes de poluir o meio ambiente e causar sérios danos à saúde, caso sejam descartados incorretamente.
Sendo assim, o primeiro passo para identificar se um produto pode ser enviado para reciclagem é verificar o seu estado.
Muitas vezes achamos que apenas equipamentos desatualizados ou que estejam obsoletos podem ser reciclados. Em muitos casos, mesmo itens danificados podem ser destinados para os pontos de recebimento, pois serão desmontados no processo de manufatura reversa.
Contudo, o ideal é que o consumidor não realize qualquer tipo de manejo antecipado, pois o processo de desmontagem precisa ser realizado por profissionais especializados. O manuseio sem a utilização das ferramentas e cuidados adequados pode ser extremamente prejudicial para a nossa saúde.
A segunda orientação é separar os produtos de outros tipos de resíduos, e recomenda-se apagar informações pessoais como fotos, contatos e vídeos antes do descarte.
O terceiro passo é acionar o programa de logística reversa. A ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos, possui um mapa interativo com diversos pontos de recebimento no site da entidade. Basta digitar o CEP e o sistema verificará o mais próximo.
Destinar corretamente eletroeletrônicos e eletrodomésticos pós-consumo, seja por desatualização ou por defeitos irreparáveis, é um compromisso que todos nós devemos ter. A logística reversa tem um papel fundamental nesse processo, mas o consumidor é o protagonista. Saber reconhecer o que pode ser destinado, bem como conhecer os locais de recebimento, é algo acessível a todos os cidadãos. E a reciclagem desses resíduos é boa para o meio ambiente, para a indústria e para todos nós.
*Robson Esteves – presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
Pequenos eletroeletrônicos, grandes impactos: a importância de reciclar celulares, carregadores e notebooks

É comum que aparelhos eletroeletrônicos sejam substituídos com frequência, impulsionados por lançamentos constantes, novas funcionalidades e outros fatores que incentivam a troca. No entanto, a preocupação com o destino adequado desses itens após o descarte ainda é baixa, o que agrava os impactos ambientais.
Pequenos dispositivos, como celulares, notebooks e carregadores, muitas vezes ficam esquecidos em gavetas ou são descartados no lixo comum, resultando na perda de recursos naturais que poderiam ser reaproveitados. Isso intensifica a extração de matéria-prima e piora os problemas ambientais.
A demanda por esses produtos segue em alta, especialmente entre consumidores de classes sociais com menor renda (C, D e E). Segundo pesquisa da PwC e do Instituto Locomotiva, realizada no ano de 2024, 68% desse público pretende adquirir novos dispositivos nos próximos 12 meses.
Além disso, nos últimos 10 anos, a participação desse grupo no mercado de eletroeletrônicos cresceu, com 45% dos entrevistados afirmando que aumentaram seu consumo no período. Esse cenário reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre o descarte correto e a reciclagem.
Muitos desses aparelhos possuem em sua composição metais essenciais à produção de novos equipamentos. Quando descartados de maneira incorreta, esses materiais são perdidos e, em contrapartida, a extração de matéria-prima da natureza é aumentada resultando em mais degradação ambiental.
Além disso, esses “gadgets” contêm substâncias químicas perigosas, como chumbo, mercúrio e cádmio, que podem contaminar o solo e a água se não forem tratados corretamente. Dessa forma, a destinação inadequada desses itens representa um risco tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública.
O processo de reciclagem dos pequenos eletroeletrônicos envolve diversas etapas, como triagem, desmontagem e separação de componentes. Materiais como plásticos, metais e vidros, por exemplo, podem ser reaproveitados na fabricação de novos produtos.
Além disso, componentes ainda funcionais podem ser reutilizados, promovendo um ciclo produtivo mais eficiente e sustentável. Empresas especializadas nesse tipo de reciclagem garantem que substâncias tóxicas sejam tratadas de forma segura e responsável, evitando a contaminação do meio ambiente.
Para garantir o descarte correto, é essencial que os consumidores procurem alternativas seguras. Programas de logística reversa que oferecem pontos de recebimento em estabelecimentos comerciais, supermercados e ecopontos podem ser soluções nesse sentido. Alguns fabricantes e varejistas também disponibilizam iniciativas de recolhimento de produtos antigos, e os encaminham para destinação ecologicamente correta.
Campanhas de conscientização promovidas por entidades gestoras como a ABREE também desempenham um papel essencial, incentivando a participação da população e tornando a reciclagem mais acessível e eficaz.
Ainda que um carregador, um cabo USB ou um telefone antigo pareçam insignificantes quando comparados a grandes eletrodomésticos, o impacto coletivo do descarte inadequado desses itens é expressivo.
O acúmulo desse tipo de resíduo em aterros sanitários contribui para a poluição e o desperdício de materiais que poderiam ser reaproveitados. Pequenas ações individuais, como levar um aparelho a um ponto de recebimento ou incentivar amigos e familiares a fazerem o mesmo, geram grandes mudanças na preservação ambiental.
*Robson Esteves – Presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
A jornada de um eletroeletrônico e eletrodoméstico descartado: do lixo à reciclagem

Todos os anos, milhões de eletroeletrônicos e eletrodomésticos chegam ao fim de sua vida útil. De acordo com o último relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2022, apenas 22,3% desses resíduos foram documentados como corretamente coletados e reciclados. No Brasil, grande parte desses produtos ainda não recebe uma destinação ambientalmente adequada.
Mas o que acontece com os equipamentos descartados corretamente? A jornada desses resíduos passa por diversas etapas até que seus materiais sejam reaproveitados ou descartados de forma segura e sustentável.
A trajetória começa com o consumidor, que desempenha um papel fundamental na logística reversa. Ao decidir descartar um eletroeletrônico ou eletrodoméstico, ele deve buscar um ponto de recebimento especializado, como ecopontos, estabelecimentos comerciais participantes ou programas de coleta seletiva. Esse primeiro passo é essencial para garantir que o resíduo siga um fluxo adequado e não acabe no lixo comum, evitando danos ambientais.
Após serem depositados nos pontos de recebimento, os materiais são coletados e transportados até centros especializados. Esse transporte deve ser realizado por empresas autorizadas, garantindo que os produtos cheguem intactos aos locais de consolidação ou triagem. Dependendo da localização e da logística envolvida, os resíduos podem passar por uma etapa intermediária antes de serem enviados para a manufatura reversa.
Nos centros de triagem, os equipamentos são organizados e agrupados para otimizar o transporte e a destinação correta. Nessa fase, é fundamental que os produtos não sejam desmontados de maneira inadequada, pois algumas substâncias presentes em sua composição podem ser perigosas. A triagem garante que cada tipo de material siga para o destino mais adequado, seja a reciclagem ou o descarte ambientalmente correto.
A manufatura reversa é uma etapa crucial no processo de reciclagem de eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Nesse estágio, os produtos são desmontados de forma segura por profissionais capacitados, garantindo que componentes reaproveitáveis sejam separados e que substâncias nocivas sejam tratadas corretamente. As empresas que realizam esse serviço devem atender a rigorosos requisitos ambientais e possuir licenças específicas para operar.
Na etapa final, os materiais extraídos seguem para a reciclagem ou para a destinação ambientalmente correta. Metais como cobre e alumínio são fundidos e reutilizados na fabricação de novos produtos, enquanto plásticos passam por processos específicos para se tornarem novos itens. Já componentes perigosos, como baterias e substâncias químicas, recebem tratamento especializado para evitar contaminação e impactos ambientais. Dessa forma, o ciclo da economia circular se fortalece, reduzindo a necessidade de extração de novos recursos naturais.
O descarte responsável de eletroeletrônicos e eletrodomésticos é essencial para minimizar o impacto ambiental e promover um futuro mais sustentável. A jornada desses resíduos, desde o momento em que são descartados até sua reciclagem final, envolve um trabalho conjunto entre consumidores, empresas e órgãos ambientais. Ao garantir que esses produtos tenham um destino correto, contribuímos para a preservação dos recursos naturais e para um futuro mais equilibrado.
*Robson Esteves – presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
Benefícios econômicos e ambientais da economia circular no setor de eletroeletrônicos e eletrodomésticos

A economia circular tem se consolidado como uma solução estratégica para o setor de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, trazendo impactos positivos tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental.
Esse modelo diminui custos de produção e cria oportunidades de emprego, mas também contribui para a preservação ambiental ao reduzir a extração de matéria-prima virgem e minimiza o descarte inadequado dos equipamentos.
Um reflexo desse avanço é que, segundo pesquisa realizado ano passado da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Centro de Pesquisa em Economia Circular da USP, 85% das indústrias brasileiras já adotam pelo menos uma prática de economia circular, demonstrando compromisso com a sustentabilidade.
A adoção de princípios da economia circular no setor permite a reutilização de componentes, a remanufatura de produtos e a reciclagem de materiais, como cobre, vidro e lítio. Esse processo reduz a dependência de recursos naturais virgens, que são extraídos e geram altos custos econômicos e ambientais. Além disso, empresas que investem em design sustentáveis e tecnologias para facilitar a desmontagem e reaproveitamento de peças conseguem diminuir despesas com insumos e logística, tornando a cadeia produtiva mais eficiente e competitiva.
A transição para um modelo circular também estimula a economia ao criar postos de trabalho. Setores como reparo, recondicionamento, reciclagem e remanufatura ganham destaque, promovendo o surgimento de empresas especializadas e oportunidades para profissionais qualificados.
No Brasil, com a regulamentação via a Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Decreto Federal n° 10.240, que aborda a gestão de resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, impulsiona investimentos na cadeia reversa. O resultado é a criação de espaços para parcerias entre setores públicos e privados e fomento dos modelos de negócio mais sustentáveis.
Do ponto de vista ambiental, os benefícios da economia circular são expressivos. A reutilização e reciclagem de componentes evitam a disposição inadequada de resíduos tóxicos, como metais pesados e plásticos de difícil degradação, que podem contaminar solos e águas.
Além disso, a redução na demanda por mineração e retirada de recursos contribui para a preservação de ecossistemas naturais e a diminuição das emissões de carbono associadas ao processo de extração e produção industrial. Esse impacto positivo também é percebido pelo setor produtivo: de acordo com pesquisa da CNI, 68% dos empresários que adotam práticas circulares reconhecem que essas medidas ajudam a reduzir a emissão de gases de efeito estufa, reforçando seu papel no combate às mudanças climáticas.
O incentivo à conscientização do consumidor também desempenha um papel essencial na redução do impacto ambiental. Ao estimular o descarte dos produtos ao final de sua vida útil, possibilitando o descarte ambientalmente adequado, é possível gerar a movimentação de um ciclo produtivo mais sustentável.
A economia circular no setor de eletroeletrônicos e eletrodomésticos representa um caminho inovador e necessário para equilibrar desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental. Deste modo, investir na circularidade desses produtos é, portanto, uma estratégia inteligente para um futuro mais próspero e ecológico.
*Robson Esteves – Presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
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