Evento nacional discute futuro das RPPNs e destaca experiência da SPVS com Créditos LIFE de Biodiversidade

Participação da organização no evento do Dia Nacional das RPPNs reforça o papel das áreas privadas protegidas como infraestrutura estratégica para produção de natureza, regulação do clima e desenvolvimento territorial/Foto: Divulgação

Por Claudia Guadagnin

A SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) participou, no dia 30 de janeiro, em Brasília, do evento nacional “Biodiversidade, Clima e Geração de Renda no Contexto das RPPNs”, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio do Projeto GEF Áreas Privadas, com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A programação integrou as comemorações do Dia Nacional das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e reuniu representantes do governo federal, especialistas, instituições da sociedade civil e proprietários de áreas protegidas.

Durante o painel dedicado à geração de renda em RPPNs, o diretor-executivo da SPVS, Clóvis Borges, apresentou a experiência da instituição com os Créditos LIFE de Biodiversidade, instrumento inovador que reconhece, qualifica e valoriza, nacional e internacionalmente, esforços concretos de conservação da natureza em áreas privadas, conectando a proteção da biodiversidade a estratégias de longo prazo do setor privado.

“As RPPNs demonstram, na prática, que conservar não é um custo, mas um ativo estratégico para o país. Instrumentos como os Créditos LIFE de Biodiversidade ajudam a traduzir esse valor em linguagem econômica e institucional, criando pontes entre áreas privadas protegidas, políticas públicas e decisões empresariais. A participação da SPVS nesta agenda nacional reforça a necessidade de consolidar mecanismos financeiros capazes de sustentar a Produção de Natureza no longo prazo”, afirmou Clóvis.

RPPNs como infraestrutura estratégica

A participação da SPVS integrou o debate nacional sobre o fortalecimento das RPPNs como componentes estruturantes da política de conservação brasileira. Criadas voluntariamente por proprietários privados e integrantes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), as RPPNs desempenham papel central na conectividade de paisagens, na proteção de recursos hídricos e na manutenção da biodiversidade em diferentes biomas.

No caso da SPVS, as RPPNs localizadas na Grande Reserva Mata Atlântica — maior contínuo remanescente do bioma no Brasil localizado entre os estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo — atuam como verdadeiras infraestruturas naturais, contribuindo para estabilidade territorial, provisão de serviços ecossistêmicos e redução de riscos ambientais e climáticos em escala regional.

Agenda pública e inovação institucional

O evento contou com a participação de autoridades e especialistas do MMA, ICMBio, Funatura, Confederação Nacional de RPPNs e organizações atuantes nos diferentes biomas brasileiros. Ao longo da programação, foram discutidos instrumentos como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), Cotas de Reserva Ambiental (CRA), créditos de carbono, créditos de biodiversidade e iniciativas de uso público sustentável associadas às áreas protegidas.

A presença da SPVS no encontro reforça seu papel histórico na formulação e implementação de soluções inovadoras para a conservação da natureza em áreas privadas, bem como sua atuação estratégica no diálogo com políticas públicas nacionais e agendas internacionais de biodiversidade e clima.

“A consolidação dos Créditos LIFE de Biodiversidade como instrumento aplicável ao mercado passa, também, pelo fortalecimento de capacidades técnicas no setor privado. Nesse contexto, iniciativas de formação conduzidas pelo LIFE Institute têm contribuído para aproximar empresas e profissionais das metodologias necessárias para mensurar impactos, mitigar riscos e estruturar ações de conservação alinhadas às estratégias de negócio. Esse movimento reflete uma mudança estrutural no mercado, no qual a integração da biodiversidade às decisões corporativas deixa de ser tendência e passa a ser requisito competitivo”, concluiu Clóvis.

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