Natureza como tecnologia: projeto da SPVS avança no enfrentamento de enchentes e eventos extremos na Região Metropolitana de Curitiba

Com mensuração de estoque de carbono em Unidades de Conservação e modelagens territoriais em andamento, iniciativa, que conta com o apoio da Petrobras, fortalece a resiliência climática em Araucária e Curitiba/Foto: Divulgação SPVS

A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) apresentou, no início de março, os avanços técnicos do Projeto Observatório Climático do Alto Iguaçu dentro da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR).

A presença da instituição reforça a importância da integração entre ciência aplicada para a conservação da natureza, setor industrial e poder público na construção de estratégias concretas de adaptação às mudanças climáticas na Região Metropolitana de Curitiba.

Durante o evento, a equipe do projeto expôs materiais técnicos, informações sobre a fauna presente no território e os resultados mais recentes das ações desenvolvidas em Araucária e na porção sul de Curitiba. A iniciativa ampliou o diálogo com colaboradores da refinaria e destacou o papel das áreas naturais como infraestrutura essencial para a estabilidade climática regional.

Dados técnicos para orientar decisões municipais

Nos últimos meses, o Observatório implementou parcelas de mensuração do estoque de carbono em Unidades de Conservação localizadas no território de atuação do projeto. Os relatórios técnicos estão sendo entregues às prefeituras municipais, e reuniões vêm sendo realizadas com secretarias de Meio Ambiente e outras áreas estratégicas para que os dados subsidiem estudos, planos diretores e instrumentos de planejamento urbano.

Segundo Rafael Meirelles Sezerban, coordenador do projeto, o objetivo é transformar informação científica em ferramenta efetiva de gestão pública.

“Implementamos parcelas de mensuração do estoque de carbono nas Unidades de Conservação do território. Esses relatórios estão sendo entregues às prefeituras e estamos buscando o diálogo com diferentes secretarias para que os dados estejam disponíveis e contribuam para o planejamento urbano e para políticas estruturantes de adaptação climática. A disponibilização dessas informações fortalece a governança climática municipal ao integrar conservação da biodiversidade, ordenamento territorial e redução de riscos associados a eventos extremos”.

Modelagens territoriais e formação de lideranças marcam 2026

No encontro na Repar, destacou-se que ano de 2026 será estratégico para o avanço do projeto. “Estão em desenvolvimento modelagens territoriais com uso de tecnologia de análise espacial para compreender a dinâmica das áreas naturais e sua capacidade de resposta frente a enchentes, ilhas de calor e outros impactos decorrentes das mudanças climáticas”, explicou Rafael.

A proposta, segundo ele, é evidenciar, com base técnica, como essas áreas funcionam como verdadeira tecnologia de enfrentamento climático, contribuindo para a infiltração de água, estabilização de encostas, regulação térmica e aumento da resiliência urbana.

Além das modelagens, o projeto realizará formações voltadas a jovens líderes climáticos, lideranças comunitárias e servidores públicos do território. A iniciativa busca fortalecer a participação em conselhos municipais e ampliar a incorporação dos dados científicos nas decisões administrativas.

“A ideia é que o entendimento da natureza como tecnologia de enfrentamento das mudanças climáticas seja cada vez mais internalizado pelo poder público e utilizado como ferramenta de planejamento para a produção de futuro que estamos construindo no território”, destacou Rafael.

Parceria estratégica para o território

Conduzido pela SPVS em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o Observatório Climático do Alto Iguaçu reconhece a relevância do território onde está inserido — área que abriga a Repar e concentra áreas naturais fundamentais para a biodiversidade e para a estabilidade climática da bacia do Alto Iguaçu.

“A parceria com a Petrobras é extremamente importante para o território. Estamos falando de uma região onde as áreas naturais ajudam a reduzir episódios de enchente e aumentam a resiliência dos municípios frente às mudanças climáticas. Trazer o projeto para dentro da REPAR permite ampliar o entendimento e o engajamento sobre essa dinâmica”, destaca o coordenador.

Com horizonte de atuação até 2028, o projeto consolida-se como uma plataforma estratégica de integração entre ciência, poder público, setor produtivo e comunidade, posicionando a natureza como ativo estruturante para segurança hídrica, estabilidade climática e qualidade de vida na Região Metropolitana de Curitiba.

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