
A KPMG, rede global de firmas independentes que presta serviços profissionais de auditoria, tributos e consultoria, anunciou nesta quinta-feira, 18 de setembro, o lançamento de um guia de reporte de ESG direcionado para empresas.
O objetivo é orientar as companhias abertas listadas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no cumprimento de requisitos de divulgação das normas IFRS S1 e IFRS S2, emitidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB). Estas estabelecem os requisitos para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e ao clima, respectivamente.
Segundo a CVM, as empresas que farão a divulgação voluntária do relatório de sustentabilidade referente ao ano de 2025 deverão comunicar isso ao mercado até 31 de dezembro. O reporte de sustentabilidade será obrigatório a partir dos exercícios sociais iniciados em 1º de janeiro do próximo ano. Com isso, os primeiros relatórios devem ser divulgados em 2027, com os dados referentes a 2026.
“As novas diretrizes elevam o padrão de transparência e reforçam a necessidade de integrar sustentabilidade à tomada de decisão financeira. É um avanço importante para alinhar empresas às expectativas de investidores e à agenda climática global e de sustentabilidade”, avalia a sócia de ESG da KPMG no Brasil, Renati Suzuki.
Trata-se de um checklist que abrange todos os requisitos das normas IFRS S1 e IFRS S2, considerando os conceitos fundamentais e requisitos de divulgação de conteúdo.
“Como a aplicação da norma foi recente, muitas companhias ainda têm dúvida sobre como inserir as informações de forma que estejam aliadas à estratégia e aos efeitos financeiros. O guia da KPMG vai servir de direcionamento para aquelas que optaram em fazer a aplicação das normas de sustentabilidade. A contribuição é no sentido de que as entidades aprimorarem a comunicação desses dados de forma significativa”, destaca a sócia-líder de ESG da KPMG para as Américas, Nelmara Arbex.
Requisitos de divulgação IFRS 1 e IFRS 2
Os padrões de divulgação têm como objetivo requerer a divulgação dos riscos e oportunidades relacionadas a sustentabilidade para os usuários gerais das informações financeiras para a tomada de decisão de fornecimento de recursos as entidades.
Entre as exigências centrais das diretrizes S1 e S2, está a divulgação obrigatória do inventário das emissões de gases de efeito estufa, abrangendo os escopos 1 (emissões diretas), 2 (energia adquirida) e 3 (cadeia de valor). As empresas deverão apresentar o método de cálculo, os dados de origem e eventuais alterações metodológicas, promovendo maior rastreabilidade e comparabilidade entre diferentes organizações.
Além das emissões, o novo padrão determina que as empresas divulguem os efeitos atuais e futuros das mudanças climáticas e outros riscos de sustentabilidade sobre sua posição financeira, desempenho e fluxos de caixa. Sempre que possível, essas informações devem ser apresentadas de forma quantitativa, conectando sustentabilidade ao desempenho financeiro.
Outro ponto é a divulgação de metas climáticas claras, com detalhamento de métricas, abrangência (por unidade de negócio ou geografia), metas de redução de emissão e o uso previsto de créditos de carbono. Será necessário explicar como essas metas se relacionam com acordos internacionais como o Acordo de Paris, além de relatar seu progresso de forma anual. E novamente conectando sustentabilidade a posição financeira, o padrão requer a divulgação dos efeitos financeiros dessas estratégias a curto, médio e longo prazo, conectando a ambição ao planejamento financeiro.
Governança como protagonista
A governança também ganha protagonismo. As entidades deverão demonstrar como os riscos de sustentabilidade são supervisionados por conselhos, comitês ou lideranças executivas, e se tais metas influenciam os critérios de remuneração da alta gestão.
Para garantir a credibilidade das informações, o relatório financeiro de sustentabilidade deverá ser publicado simultaneamente às demonstrações financeiras, com a mesma moeda de apresentação e, sempre que possível, incluir dados comparativos do exercício anterior.
5 dicas sobre como se preparar para a IFRS S1 e S2
Diferentes reflexões podem ajudar as empresas a entender melhor o que é preciso para adequação às normas, entre elas, compreender os processos necessários para apoiar as práticas de asseguração:
- Prepare-se para a asseguração
- Compreenda o impacto
- Determine o que é material
- Avalie a maturidade
- Transforme o relatório






