Recicla Summit destaca os caminhos para a profissionalização da reciclagem no Brasil

Os painéis abordaram temas como o papel da liderança, a importância da tecnologia na formalização dos negócios, os desafios logísticos enfrentados atualmente e os impactos da reforma tributária no setor/Foto: Divulgação/Recicla Summit

O Recicla Summit, evento que debate o futuro da reciclagem no Brasil, reuniu mais de 200 pessoas de 11 estados brasileiros em Gramado (RS), na última sexta-feira, 24 de abril.

Organizado pelos grupos Sygecom e Megaoffice, o encontro no Serrazul Hotel teve como destaque os caminhos possíveis para fortalecer a profissionalização da reciclagem no país.

Os painéis abordaram temas como o papel da liderança, a importância da tecnologia na formalização dos negócios, os desafios logísticos enfrentados atualmente e os impactos da reforma tributária no setor.

Essa foi a segunda edição do evento, que também foi sediado em Gramado em 2025. Estiveram presentes representantes de empresas, entidades e associações setoriais, que discutiram meios de tornar a reciclagem cada vez mais resiliente e eficiente. O Recicla Summit foi criado para ampliar as discussões sobre os desafios enfrentados por todos os elos do ecossistema: desde o catador autônomo, passando por pequenas empresas, até chegar aos grandes recicladores e indústrias transformadoras.

Este ano, o encontro aconteceu em um momento em que o setor discute amplamente mudanças tributárias e a necessidade de incentivos fiscais, bem como lacunas logísticas e de transporte existentes e novas políticas públicas para aumentar a competitividade na área.

“Nós criamos o Recicla Summit porque percebemos que muitos eventos não tratavam da gestão da reciclagem na prática. Queremos falar com o profissional que vivencia as aflições e as alegrias da atividade, que lidera um negócio em expansão, que precisa ter acesso às melhores oportunidades e saber tudo sobre tributação. A reciclagem segue sendo muito associada à informalidade. A profissionalização é um caminho não só possível, mas indispensável e urgente”, destaca Dinho Machado, CEO do Grupo Sygecom e um dos idealizadores do evento.

Tecnologia integrada para recicladores

O Grupo Sygecom tem sede em Alvorada (RS) e é formado pela Sygecom, WasteBank e Sagi Solutions. Com um ecossistema de tecnologia integrada para recicladores do Brasil, consolida soluções de gestão, logística e bancarização. No evento, o CEO Dinho Machado participou de um painel sobre o papel do líder na geração de valor para as empresas de reciclagem:

“É importante para quem trabalha com reciclagem entender o valor do seu negócio e trazer esse engajamento para os funcionários, para mostrar que não se está trabalhando com lixo, mas promovendo uma mudança para o mundo. Dando mais tempo para o mundo. Para isso, é necessário manter o negócio saudável, criar uma cultura, e ter olhar estratégico e visão de futuro”, enfatizou em sua fala.

Entre os palestrantes, estiveram nomes como: Jonas Matos, fundador do Grupo MegaOffice; Jeferson Konig, CEO da Sagi Solutions; Robinson Konig, sócio-fundador da Sagi Solutions; Luciana Deantoni, sócia na M3 Contabilidade para Reciclagens; Clóvis Lumertz, CEO da ALLCON; e Paulo Fiuza, fundador da Fiuza Metais.

Mudanças na legislação

Organizador do evento, o Grupo MegaOffice é reconhecido pela atuação estratégica nas áreas contábil, fiscal e de gestão empresarial. Dentro do ecossistema, o M3 Contabilidade para Reciclagens se destaca como uma frente voltada à inteligência contábil e tributária. Luciana Deantoni, sócia no M3, falou ao público que todos os atores da cadeia de reciclagem precisam estar atentos às próximas mudanças na legislação:

“O segmento da reciclagem tem uma margem extremamente baixa. Se não utilizar a inteligência tributária por trás dos negócios, acaba perdendo a lucratividade. Um ponto é a aprovação do projeto de lei que estabelece que empresas que utilizam a matéria-prima reciclada podem se creditar de PIS e Cofins, ficando isentas dos impostos na venda de sucatas. Além disso, quando a empresa possui processo industrial, também terá a possibilidade de creditar sobre os insumos da área produtiva. Isso tudo terá impactos positivos dentro do financeiro de negócios de reciclagem.”

Além disso, um desafio exposto se refere à logística necessária para a expansão de um negócio de reciclagem, envolvendo transporte e monitoramento de dados em tempo real. Os painelistas do Recicla Summit enfatizaram que é necessário compreender toda a cadeia de valor, com estratégias que vão desde a ponta vendedora até a ponta compradora de materiais.

Sistemas de gestão

Para Jeferson Konig, CEO da Sagi Solutions, bons sistemas de gestão são indispensáveis para garantir assertividade e não perder dinheiro na parte logística:

“Essa é uma área que, muitas vezes, acontece longe do olho do dono. São muitas empresas que contam com uma frota e todo um sistema logístico para transportar materiais e dar vazão no atendimento aos clientes. Hoje, elas enfrentam desafios como o aumento do preço do diesel, a necessidade de manutenção de equipamentos caros, dificuldade de acesso à mão de obra e empecilhos na emissão de documentos. Com bons sistemas de gestão, é possível ter indicadores, controle integral e tomada de decisão em tempo real.”

O Recicla Summit foi produzido pela agência Olhar Reciclador, com patrocínio das empresas Grimaldi, Moroshima, Sampress, Sierra, RXMAQ, Pegada Neutra, Pese Bem e Eco Expo. O evento foi apoiado por entidades como: ANAP, Associação Nacional dos Aparistas de Papel; SINAPESP, Sindicato dos Aparistas de Papel de SP; INESFA, Instituto Nacional da Reciclagem; AGER, Associação Gaúcha das Empresas e Recicladores; e SINDRECICLA-RN, Sindicato de Reciclagem e Descartáveis do Rio Grande do Norte.

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