
A categoria Refúgio de Vida Silvestre permite a permanência de propriedades particulares e de atividades compatíveis com os objetivos de conservação.
O Governo da Bahia oficializou a criação do Refúgio de Vida Silvestre da Serra da Chapadinha, uma nova unidade de conservação que abrange 18,3 mil hectares entre os municípios de Itaetê, Ibicoara, Mucugê e Iramaia, na Chapada Diamantina.
A medida amplia a proteção de uma área de elevada relevância ambiental situada ao sul do Parque Nacional da Chapada Diamantina. A região reúne cânions, cachoeiras, remanescentes de Mata Atlântica e espécies raras ou ameaçadas de extinção.
A Serra da Chapadinha também desempenha uma função importante na segurança hídrica da Bahia. Localizada nas proximidades do rio Una, a área contribui para a recarga da bacia do rio Paraguaçu. As águas do Paraguaçu alimentam a Barragem de Pedra do Cavalo, responsável por aproximadamente 60% do abastecimento de Salvador.
Além da biodiversidade, o entorno da unidade de conservação abriga comunidades quilombolas, assentamentos de reforma agrária, populações ribeirinhas e terreiros de Jarê, manifestação religiosa de matriz africana tradicional da Chapada Diamantina.
Pressão da mineração
Nos últimos anos, a região passou a enfrentar pressões relacionadas à mineração, à exploração ilegal de madeira, à expansão imobiliária e à grilagem de terras. Dados da Agência Nacional de Mineração apontam a existência de pelo menos 65 processos minerários somente no município de Itaetê, abrangendo uma área total de 70,2 mil hectares.
A categoria Refúgio de Vida Silvestre permite a permanência de propriedades particulares e de atividades compatíveis com os objetivos de conservação. Educação ambiental, pesquisa científica e monitoramento poderão continuar sendo realizados no território.
Por outro lado, ficam proibidas atividades como mineração, caça, captura ou perturbação da fauna. Exceções poderão ocorrer apenas em ações autorizadas de pesquisa, manejo ou controle ambiental.
A unidade será administrada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema). O decreto também prevê a formação de um conselho consultivo com representantes do território.
A criação do refúgio atende a uma recomendação do Ministério Público Federal e a uma mobilização conduzida por ambientalistas desde 2023. A proteção legal representa um avanço, mas sua efetividade dependerá da elaboração do plano de manejo, da participação das comunidades e da capacidade de fiscalização diante das pressões econômicas existentes na região.





![[Artigo] O Biólogo na linha de frente do enfrentamento às mudanças climáticas: ciência, proteção a vida e compromisso social](https://www.noticiasustentavel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/biologos-90x75.jpg)
