
Por Solange Alcântara*
As mudanças climáticas constituem um dos maiores desafios contemporâneos para a humanidade e para a conservação da biodiversidade. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), destaca que o aumento da temperatura, as secas, as ondas de calor, as chuvas extremas, as inundações e os incêndios ampliam seus impactos sobre os ecossistemas e as populações humanas, especialmente em regiões vulneráveis (IPCC, 2022).
No Brasil, dados do CEMADEN (2026) evidenciam a intensificação de eventos extremos e seus efeitos sobre a biodiversidade, a saúde e os recursos naturais. Publicação da revista Science evidencia a dimensão dos desafios, especialmente na Amazônia, onde alterações no regime de chuvas, secas extremas e pressões antrópicas podem comprometer o funcionamento dos ecossistemas e sua capacidade de armazenar carbono (SCIENCE, 2024).
Para o Nordeste, O Sexto Relatório de Avaliação do IPCC identifica aumento das temperaturas, maior frequência e intensidade de extremos de calor e aumento da duração das secas, com elevada confiança (IPCC,2023). Destaca a vulnerabilidade da região caracterizada pela combinação de fatores climáticos e sociais. Sendo uma das áreas semiáridas densamente povoadas do mundo, apresentando elevada exposição da população às secas, os efeitos extremos tendem a afetar a segurança hídrica e alimentar, a saúde, a produção agrícola e o bem-estar social.
A Caatinga, bioma predominante na região nordeste do Brasil, ocupa posição central nessa discussão. Longe de ser um ambiente biologicamente pobre, como durante muito tempo foi equivocadamente considerada, a Caatinga apresenta elevada biodiversidade e endemismo. Entretanto, o IPCC alerta e destaca sua vulnerabilidade à redução da disponibilidade hídrica, à expansão agrícola e à perda de vegetação nativa.
Esses fenômenos reforçam a necessidade de profissionais preparados para transformar evidências científicas em ações concretas de adaptação, conservação, monitoramento, prevenção e educação. Nesse cenário, o Biólogo assume posição estratégica por possuir ampla formação diretamente relacionada ao estudo da vida, da biodiversidade e das relações entre os organismos e o ambiente.
Sua contribuição ultrapassa a identificação dos impactos climáticos: envolve produzir conhecimento, interpretar dados, monitorar alterações ambientais, antecipar riscos e propor soluções inovadoras capazes de conciliar conservação ambiental, saúde, educação climática, desenvolvimento e qualidade de vida.
Com largo espectro de atuação, na área de Meio Ambiente e Biodiversidade, o Biólogo atua na conservação de ecossistemas, recuperação de áreas degradadas, restauração ecológica, monitoramento da fauna e flora, avaliação de impactos e planejamento de estratégias de adaptação climática.
Na Saúde, contribui para compreender as relações entre alterações ambientais, vetores, zoonoses e doenças sensíveis ao clima. Em Biotecnologia e Produção, pode desenvolver bioinsumos, processos sustentáveis, tecnologias de menor impacto ambiental e soluções associadas à bioeconomia.

Na Educação, sua atuação é igualmente essencial, especialmente na produção de conteúdos didáticos e materiais de divulgação científica que contemplem a educação climática, aproximando a ciência do cotidiano de estudantes e comunidades. A educação climática é reconhecida pela UNESCO como instrumento fundamental para capacitar pessoas a compreender e enfrentar os impactos da crise climática, desenvolvendo conhecimentos, competências, valores e atitudes para a transformação social (UNESCO, 2025).
Nesse contexto, destaca-se ainda o papel do Conselho Regional de Biologia da 8ª Região (CRBio-08). O Conselho atua na orientação e fiscalização do exercício profissional, contribuindo para assegurar que as atividades próprias da Biologia sejam desempenhadas por profissionais habilitados e em conformidade com a legislação. Garantir o exercício ético e qualificado da profissão também significa oferecer à sociedade maior segurança na realização de estudos, diagnósticos, monitoramentos, projetos ambientais e demais serviços relacionados à Biologia.
Por ocasião do Dia do Biólogo, celebrado em 3 de setembro, o Conselho Regional de Biologia – CRBio-08 – homenageia e parabeniza todos os Biólogos e Biólogas pela dedicação à ciência, à vida e à sociedade; que no exercício da profissão, fazem da ciência uma ferramenta de transformação social e ambiental. Este marco temporal, representa o reconhecimento de profissionais
com escopo de atuação multidisciplinar, fundamentais à arquitetura de Sociedades que visam á sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida (CRBio-08, 2018).
Nesse contexto, valorizar e fortalecer a profissão de Biólogo também é uma medida de proteção à sociedade e ao patrimônio natural brasileiro, contribuindo para que o Brasil esteja mais preparado para enfrentar os desafios climáticos presentes e futuros.
*Doutora em Território, Ambiente e Sociedade (UCSaL) Mestre em Ciências Biológicas (UFBA). Graduada no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas (UCSal); Design em Sustentabilidade(Gaia Education); Especialista em Projetos Educacionais Elaboração, Aplicação e Avaliação; Especialista em Educação Especial (C.C.Conhecer/Brasília), atualmente conselheira do Conselho Regional de Biologia – 8ª Região
Contato: solrocha07@gmail.com
Referências:
CEMADEN. Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Informações e dados sobre extremos climáticos e desastres no Brasil. São José dos Campos: CEMADEN, 2026.
IPCC. Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and Vulnerability.
Cambridge: Cambridge University Press, 2022.
IPCC. Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Organização por Core Writing Team, H. Lee e J. Romero. Geneva, Switzerland: IPCC, 2023. 184 p. DOI 10.59327/IPCC/AR6-9789291691647. Disponível em: ipcc.ch. Acesso em: 26 ago. 2026 SCIENCE. Climate change, extreme events and the Amazon/Brazil. Science, Washington, D.C., 2024. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO). Guia para currículos verdes: ensino e aprendizagem para a ação climática. Paris: UNESCO, 2025. Disponível em: unesco.org. Acesso em: 26 ago. 2026.

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