ONU alerta que ação imediata é a única forma de evitar catástrofe climática global 

O planeta Terra está enviando sinais claros de que atingiu um ponto crítico. Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado nesta quarta-feira, 2 de setembro, revela que a humanidade está prestes a ultrapassar o limite crucial de aquecimento global de 1,5 °C nos próximos anos. 

Ondas de calor extremo, grandes inundações e incêndios florestais sem precedentes mostram que o mundo está no limite da segurança climática.

Questão de sobrevivência humana

Na publicação apresentada nesta quarta-feira, a mensagem das Nações Unidas para os líderes globais é que manter o aumento da temperatura abaixo desse limite é uma questão de sobrevivência humana. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou ainda que cada fração adicional de grau custará vidas, destruirá fontes de renda e causará estragos irreversíveis na natureza. 

O choque coloca em risco permanente as vastas camadas de gelo e neve que revestem os Polos Norte e Sul do planeta e ameaça destruir a Floresta Amazônica, frisa a análise.

Apesar do cenário grave, a catástrofe ainda pode ser evitada se o mundo agir rápido. O estudo sublinha que as soluções técnicas e financeiras já existem e estão disponíveis. 

Recuperar ecossistemas essenciais

O plano propõe acabar rapidamente com a dependência de combustíveis fósseis, acelerar o uso de energias renováveis, reduzir drasticamente as emissões de gás metano e recuperar ecossistemas essenciais, como florestas e oceanos.

Essa transformação requer um compromisso político e financeiro real. Os países desenvolvidos precisam liderar esse movimento, triplicando os recursos de apoio para proteger as populações mais vulneráveis. 

Além de parar de poluir, o planeta precisa caminhar para remover mais carbono da atmosfera do que emite, garantindo a proteção de um futuro comum.

O pôr do sol atrás de um denso fumo industrial que se eleva sobre o horizonte da cidade de Teerã, no Irã.
Estratégia quer reduzir drasticamente as emissões de gás metano e recuperar ecossistemas essenciais/Foto: Domínio Público 

O Pnuma aponta como requisitos no caminho a seguir que a mitigação e a adaptação caminhem lado a lado, com prioridade imediata dada a intervenções, como as soluções de resfriamento baseadas na própria natureza. 

Futuro de emissões líquidas negativas

Alcançar a neutralidade de carbono deixa de ser o destino para se tornar apenas um marco intermediário rumo a um futuro de emissões líquidas negativas, sustentado pela redução contínua e drástica dos gases de efeito estufa.

O Pnuma também alerta que a transformação do diagnóstico em ação real depende de condições essenciais como vontade política firme, multilateralismo renovado, políticas públicas eficazes, governança inclusiva e financiamento à altura do desafio. 

Nesse esforço, a responsabilidade de liderar cabe aos países com maior histórico de emissões, que devem agir com a máxima rapidez e a maior ambição para garantir a sobrevivência e o equilíbrio do planeta.

Em resposta ao alerta da ONU, o Greenpeace reforça que uma ação conjunta e abrangente para abandonar os combustíveis fósseis, promover uma transição justa que seja rápida, equitativa e devidamente financiada, e acabar com a destruição das florestas até 2030 deve se tornar a força motriz das políticas governamentais para que o mundo volte o mais rápido possível a marca de 1,5°C.

“O relatório do Pnuma confirma o que a ciência já alertava: o tempo de esperar acabou, precisamos agir agora para reduzir os impactos das mudanças do clima. O aumento da temperatura global está ultrapassando cada vez mais o limite seguro, levando a desastres catastróficos como o visto este mês no Nepal, apenas para citar um dos vários exemplos. Para reduzir esses impactos e proteger vidas, é urgente mitigar e adaptar à crise climática. No Brasil, isso significa continuar os esforços para zerar o desmatamento, além de destinar recursos para a adaptação nos Municípios e promover a eliminação gradual e justa dos combustíveis fósseis”, defende a especialista em política climática do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo.

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