
Fundação BB de Tecnologia Social/Imagem: Fundação BB/Reprodução
Por Gilson Lima*
Costuma-se dizer que ainda estamos em busca de soluções para os grandes desafios sociais. Mas talvez a pergunta mais correta seja outra: será que já não temos essas respostas — e apenas falhamos em enxergá-las?
Existe um país que funciona. Um país que cria, testa e aperfeiçoa soluções capazes de transformar realidades inteiras. Essas iniciativas não nascem somente em laboratórios sofisticados nem dependem, necessariamente, de alta tecnologia. Surgem, na maioria das vezes, nos próprios territórios, a partir da escuta, da colaboração e da necessidade. São práticas que combinam conhecimento tradicional, inovação social e protagonismo comunitário.
Ainda assim, por muito tempo, convencionou-se associar inovação apenas ao avanço tecnológico ou ao crescimento econômico. Essa visão limitada acaba invisibilizando um conjunto robusto de soluções que já demonstraram, na prática, sua capacidade de gerar impacto social consistente. As chamadas tecnologias sociais são prova disso: metodologias acessíveis, reaplicáveis e sustentáveis, construídas em diálogo direto com as comunidades e voltadas à resolução de problemas concretos.
Quando se fala em desigualdade, fome, exclusão produtiva ou sustentabilidade, é comum olhar para fora ou para o futuro, como se as respostas ainda estivessem por vir. No entanto, muitas delas já existem. Estão sendo aplicadas, aprimoradas e reaplicadas em diferentes contextos, com resultados mensuráveis e duradouros. O desafio, portanto, deixa de ser a criação e passa a ser o reconhecimento, o fortalecimento e a ampliação dessas soluções.
É para dar visibilidade a esse país que funciona e transforma que, entre os dias 27 e 29 de maio, Brasília será palco do Festival de Soluções Sociais para o Brasil. Realizado pela Fundação Banco do Brasil, em parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o evento se propõe a evidenciar como as tecnologias sociais vêm oferecendo respostas concretas e escaláveis para desafios históricos, como a desigualdade, a fome, a inclusão produtiva e a sustentabilidade. Ao reunir experiências, promover diálogos e reconhecer práticas bem-sucedidas, o festival contribui para mudar o eixo da discussão — do problema para a solução.
Durante o festival, também serão anunciadas as iniciativas vencedoras do 13º Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social. Nesta edição, a Fundação BB está destinando até R$ 6 milhões para 40 projetos reconhecidos por sua efetividade, impacto e capacidade de reaplicação. Em um cenário em que frequentemente se discute escassez de soluções, essa abordagem aponta para um caminho mais pragmático e, ao mesmo tempo, mais conectada com a realidade dos territórios.
Há também um simbolismo importante na realização do festival em Brasília. Levar essas iniciativas para o centro das decisões políticas é, de certo modo, romper uma barreira histórica entre quem formula políticas e quem vive — e resolve — os problemas no dia a dia. É um convite para que o conhecimento produzido nas comunidades tenha espaço, voz e influência nas agendas institucionais.
Mais do que apresentar experiências bem-sucedidas, o festival propõe uma mudança de mentalidade. Ele sugere que o desenvolvimento não precisa ser importado ou exclusivamente tecnológico para ser efetivo. Pode — e deve — ser enraizado, colaborativo e acessível.
Reconhecer isso é dar um passo importante rumo a um modelo de desenvolvimento mais justo e inclusivo. Afinal, quando as soluções que nascem nas comunidades ganham escala, não apenas resolvem problemas locais — elas ajudam a redesenhar o futuro coletivo. Talvez o maior desafio, portanto, não seja inventar um novo caminho, mas ter coragem de valorizar o que já estamos construindo.
*Gilson Lima é diretor da Fundação Banco do Brasil desde 2024. Com carreira iniciada no Banco do Brasil em 1986, acumulou ampla experiência em funções estratégicas e de liderança ao longo de sua trajetória. É formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui MBA em Gestão de Operações e Logística, com ênfase em Gestão Estratégica, e mestrado em Administração Pública pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).


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