Cerca de 60% das cidades e estados já sentem impacto do clima extremo em 2026

Eventos climáticos causaram perdas de US$ 3 bilhões para empresas em 2025; só chuvas intensas foram responsáveis por prejuízos de US$ 1,5 bilhão/Foto: Reprodução CDP

Segundo nova análise do CDPmaior plataforma independente de divulgação ambiental do mundo, divulgada nesta segunda-feira, 18 de maio, os eventos climáticos extremos estão provocando impactos financeiros materiais em toda a economia global.

Ao todo, cerca de 62% das cidades, estados e regiões que reportaram dados por meio de mecanismos do CDP afirmaram já estar sendo significativamente impactados por eventos climáticos extremos.

Estes eventos estão sendo reconhecidos por governos subnacionais como um risco financeiro e econômico, com quase um quarto (23%) dos participantes destacando especificamente atividades financeiras e de seguros como altamente expostas à intensificação dos riscos climáticos.

Em resposta, cidades ao redor do mundo estão desenvolvendo de forma contínua novos projetos de infraestrutura climática para proteger pessoas e empresas, ainda que precisem de financiamento adicional, evidenciando uma lacuna global de investimentos. 

Além disso, empresas reportaram que esses eventos causaram quase US$ 3 bilhões em perdas reais em 2025, principalmente devido ao aumento de custos diretos e paralisações operacionais, sendo chuvas intensas o principal fator isolado dessas perdas (US$ 1,5 bilhão).

Os dez principais dados e conclusões do relatório são:

  1. Eventos climáticos extremos já impactam a economia global

O estudo aponta que eventos climáticos extremos geraram cerca de US$ 2 trilhões em perdas globais na última década.

Além disso:

  • 62% dos governos subnacionais (cidades, estados e regiões) afirmam já sofrer impactos significativos desses eventos;
  • mais de 60% esperam aumento da intensidade ou frequência de secas, ondas de calor e enchentes urbanas.
  1. Empresas ainda subestimam o risco climático

Apesar do cenário, apenas:

  • 35% das empresas que reportam ao CDP consideram os eventos extremos como um risco financeiro material.

O estudo destaca um descompasso entre a percepção do setor privado e a realidade dos impactos climáticos.

  1. Perdas futuras podem chegar a US$ 898 bilhões

As empresas projetam:

  • US$ 898 bilhões em perdas futuras relacionadas a eventos extremos;
  • somente enchentes representam US$ 527 bilhões desse total.

Os eventos mais críticos são:

  • enchentes;
  • ciclones e furacões;
  • chuvas intensas;
  • secas.
  1. O maior impacto não é físico: é operacional

O relatório mostra que os efeitos financeiros mais relevantes vêm da interrupção das operações:

  • US$ 326 bilhões em perdas estimadas decorrem da redução da capacidade produtiva;
  • desligamentos operacionais e aumento de custos diretos já somaram centenas de milhões de dólares em apenas um ano.

A conclusão do CDP é clara: o clima afeta primeiro o fluxo operacional e a continuidade dos negócios, antes mesmo de atingir o balanço patrimonial.

  1. Existe um “ponto cego” no risco de seguros

Um dos alertas mais fortes do estudo envolve o mercado de seguros.

Enquanto empresas estimam apenas:

US$ 3,3 bilhões em aumento futuro de prêmios de seguro,

as seguradoras projetam:

US$ 49 bilhões em futuras responsabilidades relacionadas ao clima.

Segundo o relatório, isso indica que:

  • aumento de prêmios;
  • restrição de cobertura;
  • retirada de seguradoras de áreas de alto risco

podem ser muito maiores do que as empresas imaginam hoje.

O estudo resume isso em uma frase forte:

“Menos de 1% das empresas precificam a retirada esperada de seguros em áreas de alto risco.”

  1. Há um déficit de US$ 34 bilhões em adaptação climática

Governos locais relatam:

  • um déficit de pelo menos US$ 34 bilhões em financiamento para adaptação climática;
  • 46% afirmam enfrentar restrições orçamentárias para agir;
  • mais de 60% buscam financiamento para projetos de adaptação.

O CDP alerta que essa falta de investimento público aumenta a vulnerabilidade de empresas e investidores que operam nesses territórios.

  1. O principal recado do estudo: risco climático é sistêmico

A conclusão central do relatório é que o risco climático não pode mais ser tratado apenas no nível individual das empresas e depende de sistemas compartilhados, tais como:

  • infraestrutura;
  • logística;
  • energia;
  • seguros;
  • serviços públicos;
  • cadeias de suprimento.

O CDP defende maior coordenação entre:

  • empresas;
  • governos;
  • sistema financeiro;
  • seguradoras;
  • reguladores.

Sem isso, medidas isoladas podem até fortalecer uma organização específica, mas aumentar a fragilidade do sistema como um todo.

Para acessar o estudo na íntegra (em inglês), clique aqui.

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