COP-15 da Biodiversidade: criação de fundo gera otimismo entre os países

Mundo registra atualmente perdas exorbitantes de biodiversidade/Foto: Anne Nygård/Unsplash

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou nesta primeira parte da 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP-15), a criação do Fundo Kunming, mecanismo que será voltado ao apoio da Estrutura Global para a Biodiversidade Pós-2020 (que será acordado em 2022, na segunda parte da COP-15).

A China investiu cerca de US$ 230 milhões e pede a outros países que doem ao Fundo para ajudar a reverter a dramática perda de biodiversidade que o mundo enfrenta atualmente.

O anúncio da China sobre o financiamento da biodiversidade responde às necessidades dos países em desenvolvimento e megadiversos de ver recursos sobre a mesa antes de se comprometerem com as metas de proteção à biodiversidade. A Declaração de Kunming, adotada por 195 nações na quarta-feira, 13 de outubro, também foi um sinal positivo.
Entretanto, US$ 230 milhões estão longe de ser suficientes para fechar a lacuna de financiamento da biodiversidade. O montante é inferior aos US$ 4 bilhões comprometidos pelo Reino Unido, ao compromisso da França de gastar 30% de seu financiamento climático na biodiversidade, e até mesmo aos US$ 5 bilhões que foram prometidos há duas semanas por vários filantropos.

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Esforço maior

Será necessário fazer mais para apoiar os países em desenvolvimento e megadiversos que tentam proteger sua biodiversidade – o Brasil é o país mais biodiverso, com quase 20% das espécies do planeta. Resta saber se a China pode se preparar para a tarefa diplomática de conseguir a adesão das partes com uma estrutura ambiciosa de biodiversidade – e os mecanismos necessários de prestação de contas, relatórios e implementação – antes da segunda parte da COP-15, em abril de 2022.

Georgina Chandler, oficial sênior de Política Internacional da RSPB, comemorou com ressalvas os resultados desta primeira parte da COP-15. “O anúncio da China é um primeiro passo bem-vindo, mas é o início e não o fim da corrida.” “Agora precisamos continuar a ver outros países se engajando até o próximo ano para fazer promessas ambiciosas, inclusive financeiras, para a natureza – sem ações tangíveis sobre a mesa, o mundo continuará acordando mais um conjunto de metas sem nenhum compromisso de cumpri-las”.

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Questões interligadas

A CEO da European Climate Foundation, Laurence Tubiana, destacou que a emergência climática e a perda de biodiversidade andam de mãos dadas. “Não podemos resolver uma sem a outra, e ainda assim a perda de biodiversidade está apenas acelerando. Um resultado de sucesso na COP-15 da CDB depende da liderança diplomática da China. Sem parar e reverter a perda da biodiversidade, todos os nossos esforços para conter a maré da mudança climática estão em perigo”.

Para a diretora do WWF International, Lin Li, a Declaração de Kunming é uma demonstração de vontade política e acrescenta um impulso muito necessário ao sinalizar claramente a direção da viagem para enfrentar a perda da biodiversidade. “Em Kunming no próximo mês de maio, esta declaração deve ser transformada em um plano de ação para a natureza que não apenas proteja a terra, a água doce e os mares, mas também aborde fundamentalmente nosso sistema agrícola insustentável, abrace soluções baseadas na natureza, assegure o financiamento adequado e seja implementado de forma robusta.”

(Com informações de Cínthia Leone, do Instituto ClimaInfo)

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