
Uma reunião que pode ser decisiva para evitar novas tragédias, não apenas na capital gaúcha (como a que aconteceu em 2024), mas também em outras cidades do Brasil e países do mundo, teve início na terça-feira, 23 de junho, em Porto Alegre.
Durante o Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil e o Encontro Nacional do ICLEI, realizados no auditório da PUC/RS, especialistas convidados e representantes das Defesas Civis do Brasil discutem alternativas para reduzir o impacto do El Niño, que deverá vir forte no segundo semestre.
Segundo a Associação Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, o fenômeno já começou no oceano Pacífico e as chances de ele se prolongar até o final deste ano são de 82%, aumentando o risco de fortes chuvas e secas nos próximos meses.

Rodrigo Perpétuo, diretor-executivo do ICLEI América Latina/Foto: Divulgação
Diretor-executivo do ICLEI — Governos Locais pela Sustentabilidade na América do Sul, que organiza o evento, Rodrigo Perpétuo tem acompanhado os esforços de vários municípios para se adaptar à mudança climática. Para ele, assim como acontece em outros fenômenos de impacto ambiental, a redução de risco no El Niño passa a ser uma questão de gestão, planejamento e execução de ações de prevenção, com a participação das comunidades.
“A preparação começa antes da crise. Ao ter essa perspectiva, governos locais e regionais salvam vidas”, conclui ele. “O congresso é o momento em que essa experiência se torna visível para o mundo, com a participação de especialistas com experiencias de extremos climáticos de várias partes do mundo, acrescenta Rodrigo Perpétuo.
O evento, na capital gaúcha, segue até quinta-feira (25).
O que é o super El Niño?
O “Super El Niño” é uma fase de intensificação extrema do fenômeno climático natural El Niño, caracterizado por um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Ele afeta os padrões de chuva e temperatura em escala global, podendo provocar secas severas, ondas de calor e tempestades extremas.
Qual é a previsão para o El Niño em 2026?
O El Niño está estabelecido e deve se intensificar no segundo semestre de 2026, com modelos apontando chances superiores a 80% de persistência até o final do ano. Devido ao rápido fortalecimento do fenômeno, meteorologistas alertam para a possibilidade de um “super El Niño“.
Os principais impactos climáticos previstos para o Brasil são:
- Região Sul: Aumento significativo no volume de chuvas, com risco de temporais.
- Centro-Oeste e Sudeste: Inverno com temperaturas mais elevadas, diminuição das massas de ar frio intensas e tempo mais seco na região central.
- Norte e Nordeste: Supressão de chuvas, resultando em tempo mais seco e propenso a queimadas, especialmente nas áreas do Matopiba.
Qual o efeito do El Niño no Brasil?
O El Niño altera profundamente o clima brasileiro ao aquecer as águas do Oceano Pacífico. Seus efeitos principais dividem-se regionalmente: na Região Sul, provoca chuvas torrenciais e enchentes, enquanto nas regiões Norte e Nordeste, intensifica o risco de secas severas e reduz o volume de chuvas.
Qual foi o último El Niño?
O último grande El Niño ocorreu entre 2023 e 2024. Ele foi classificado como um dos cinco mais intensos já registrados na história, com impactos severos no clima global, incluindo secas na Amazônia e chuvas extremas que causaram enchentes históricas no Rio Grande do Sul.






