
Foto: © ONU/Manuel Elías
Mais de 100 países aproveitaram a Cúpula do Clima, promovida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em Nova York para apresentar novos planos e metas antes da COP30 em Belém, em novembro — em nítido contraste com os ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, à ação climática na ONU no início desta semana, informa o ClimaInfo.
China, Mongólia, Vanuatu, Micronésia, Paquistão e Libéria estiveram entre os países que anunciaram planos na quarta-feira, 24 de setembro, juntando-se a Austrália, Nigéria e Jamaica na submissão de suas metas para 2035 à ONU nesta semana.
Os planos apresentados formam o conjunto mais detalhado de planos climáticos nacionais até hoje. Muitos, pela primeira vez, abrangem todos os setores da economia — incluindo transporte e indústria — além de abordar oceanos, florestas e outros recursos naturais. Mais de 90% dos planos apoiam ao menos um dos resultados energéticos da COP28.
As novas promessas se apoiam em uma década de avanços desde o Acordo de Paris, quando a economia global cresceu quase 28%, mesmo com as emissões aumentando apenas 3%. A intensidade de carbono caiu 21% e o crescimento anual das emissões desacelerou em cinco vezes, para 0,32%, segundo uma nova análise do ECIU, destacando como planos nacionais mais robustos podem acelerar uma tendência já em curso.
Plano chinês
O compromisso da China de reduzir as emissões entre 7% e 10% após atingirem o pico (que analistas dizem ter ocorrido em 2024) foi amplamente visto como fraco, embora represente sua primeira meta climática abrangendo toda a economia e todos os gases de efeito estufa. O plano chinês também estabelece a meta de elevar a participação de fontes não fósseis para mais de 30% da demanda total de energia até 2035. Analistas esperam que o setor de tecnologia limpa da China, em rápido crescimento, impulsione a capacidade de energia eólica e solar bem além da meta declarada de 3.600 GW.
Guterres abriu a cúpula pedindo que os líderes apresentem NDCs de alta ambição. “Precisamos de novos planos para 2035 que avancem muito mais e muito mais rápido: cortes dramáticos de emissões compatíveis com 1,5 °C, cobrindo todas as emissões e setores, e acelerando uma transição energética justa em escala global”.
Anfitrião da COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também fez um dos discursos de abertura da Cúpula de Clima e reafirmou a meta do Brasil de “reduzir as emissões de todos os gases de efeito estufa entre 59% e 67%, abrangendo todos os setores da economia”. Ele acrescentou: “Ao sediar a COP na Amazônia, o Brasil quer mostrar que é impossível preservar a natureza sem cuidar das pessoas.”
“A transição verde e de baixo carbono é a tendência do nosso tempo”, afirmou Xi Jinping, presidente da China.
Foco na direção correta
“Embora alguns países ajam contra isso, a comunidade internacional deve manter o foco na direção correta, permanecer firme na confiança, incansável nas ações e determinada na intensidade, e avançar na formulação e implementação das NDCs, com o objetivo de trazer mais energia positiva para a cooperação na governança climática global”, completou Xi.
“A questão já não é mais se a transição ocorrerá e com que rapidez, mas quem se beneficiará dela”, avalia Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. “E todos os países devem colher os benefícios, especialmente os mais vulneráveis. É por isso que continuamos sendo o maior financiador climático do mundo. Vamos mobilizar até €300 bilhões para apoiar a transição limpa em escala global por meio do nosso programa de investimentos Global Gateway, e vamos transformar em realidade nosso acordo coletivo de triplicar as energias renováveis até 2030”, disse von der Leyen.
Para acessar os planos climáticos dos países, acesse: https://unfccc.int/NDCREG






