Economia Circular ganhará espaço inédito na COP30

Economia Circular – modelo que transforma resíduos em recursos, prolonga o ciclo de vida de produtos e reduz o desperdício – terá papel de destaque na COP30/Imagem gerada por IA

A COP30, que será realizada em Belém, em novembro deste ano, trará um marco inédito em sua programação. Pela primeira vez, desde a criação da Conferência do Clima, a Economia Circular – modelo que transforma resíduos em recursos, prolonga o ciclo de vida de produtos e reduz o desperdício – terá dois dias inteiros de debates e painéis oficiais, nos dias 10 e 11 de novembro, na Green Zone e na Blue Zone.

A decisão reforça a importância crescente do tema na agenda climática global e responde a um desafio urgente: o mundo produz hoje mais de 2,2 bilhões de toneladas de resíduos por ano e recicla apenas uma fração desse total. Se nada mudar, o volume pode aumentar em 70% até 2050, segundo o Banco Mundial.

A inclusão do tema na COP30 foi anunciada pela secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria (SEV) do MDIC, Julia Cruz, durante o Fórum Nacional de Economia Circular, realizado em agosto deste ano, ocasião em que também apresentou as ações prioritárias do Plano Nacional de Economia Circular.

O objetivo é incentivar governos, empresas e a sociedade a repensarem a forma como produzem e consomem, priorizando produtos mais duráveis, o reuso de materiais e, por fim, que estes materiais sejam também aptos à reciclagem.

Passo simbólico e estratégico

Para Saville Alves, cofundadora e líder de negócios da SOLOS, esse passo é simbólico e estratégico. A empresa de impacto socioambiental, nascida no Nordeste, atua há sete anos com coleta seletiva e ações de conscientização, tendo transformado mais de 1.700 toneladas de resíduos em impacto econômico, social e ambiental e gerado R$ 6,5 milhões em renda para catadores e cooperativas. A frente da empresa nesse período e com vasta experiência em sustentabilidade, Saville lembra que, nas COPs, sempre se falou em transição energética, na importância dos biomas e das florestas, mas que agora será a primeira vez que a Economia Circular terá espaço exclusivo na programação oficial.

“Isso representa uma ampliação do olhar sobre a crise climática, colocando em evidência a maneira como produzimos e consumimos. Ao estimular governos, empresas e cidadãos a repensarem o design e necessidade dos produtos, trazendo aumento da durabilidade, reutilização e reciclagem como caminhos relevantes de impacto ambiental e geração de valor para a sociedade”, explica Saville. 

A economia circular está diretamente ligada à preservação dos biomas. Ela explica que quando se utiliza plástico, papel ou ferro reciclados, evita-se a extração de matéria-prima virgem, o que significa menos desmatamento, menos mineração e menores emissões de carbono. “Esse modelo é uma oportunidade concreta de transformar resíduos em soluções, revisando o modelo econômico em que vivemos para promover inclusão e regeneração”, enfatiza a executiva.

Saville acredita que, ao trazer o tema para o centro das discussões, a COP30 marca uma mudança de paradigma. A circularidade econômica passa a ser vista não apenas como uma estratégia de gestão de resíduos, mas como um pilar para acelerar a transição climática e garantir a proteção dos ecossistemas. “O encontro em Belém, ao dedicar espaço inédito para o assunto, consolida a Economia Circular como parte essencial da resposta global à crise ambiental”, finaliza.

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