CDP: mais de 95% das PMEs que divulgam dados avançam na ação ambiental

Na América Latina, os dados também revelam avanços importantes, com 66% das PMEs da região já apresentando um plano de transição climática em nível básico.

As pequenas e médias empresas (PMEs) são uma parte crítica, mas frequentemente negligenciada, da transição ambiental global. Representando cerca de 90% das empresas em todo o mundo e 60% das emissões globais relacionadas com os negócios, a sua capacidade de transformar a ambição ambiental em ação é essencial. Uma nova análise do CDP, com base em dados de quase 11 mil empresas que divulgam informações, mostra sinais encorajadores de progresso, à medida que as PMEs reforçam as bases necessárias para gerir os seus impactos ambientais e impulsionar a ação.

A análise Da preparação ao progresso: SME Disclosure Data Insights 2026 revela que mais de 95% das PMEs avançaram em pelo menos um indicador ambiental chave, enquanto quase 40% cumprem a maioria ou a totalidade dos indicadores básicos avaliados. No entanto, a análise também revela uma lacuna significativa entre implementar as estruturas adequadas e passar à ação. Apenas 20% das PMEs têm uma meta de redução de emissões, enquanto somente 32% têm iniciativas de redução de emissões em curso.

Os resultados apontam para um impulso futuro: quase dois terços (63%) das PMEs possuem um plano de transição ou esperam ter um no prazo de dois anos, embora apenas 15% o tenham atualmente implementado. Os progressos em governança, gestão de riscos e envolvimento dos stakeholders sugerem que as PMEs já estão fortalecendo as bases para a ação. À medida que o planeamento da transição se torna mais difundido, espera-se que isso ajude mais PMEs a definir metas de redução de emissões e a colocar iniciativas em prática, contribuindo para fechar a lacuna entre a preparação e a ação.

Liderança promissora

As PMEs da América Latina demonstram uma liderança promissora. Segundo os novos dados do CDP, 66% das PMEs da região já possuem um plano de transição climática em nível básico e 63% têm um plano ou preveem adotar um no prazo de dois anos. Além disso, as PMEs da América Latina mostram um forte impulso no envolvimento dos stakeholders, com 61% cumprindo os indicadores básicos e 48% atingindo níveis avançados, consolidando as bases de governança e estratégicas necessárias para transformar a ambição ambiental em progresso real.

O progresso não é uniforme entre os mercados. As PMEs europeias estão entre as que apresentam melhor desempenho, com Espanha, França e Suécia a liderar entre os países avaliados. Em contrapartida, as PMEs de Singapura e dos Estados Unidos mostram o menor progresso, com a maioria a cumprir nenhum ou apenas alguns dos indicadores avaliados.

Relatórios de sustentabilidade

O desempenho mais forte da Europa surge em um contexto de evolução rápida do panorama de relatórios de sustentabilidade, com um foco crescente em divulgações voluntárias padronizadas para PMEs (VSME). O questionário para PMEs do CDP está alinhado com as estruturas de relatórios europeias, incluindo o VSME, ajudando as empresas de menor dimensão a responder a estas crescentes expectativas do mercado.

“As PMEs são indispensáveis para a transição rumo a uma economia de impacto neutro em carbono e positiva para a Terra. Os nossos dados mostram que muitas já fazem o trabalho duro de implementar as bases, compreendendo os riscos ambientais, fortalecendo a governança e preparando-se para a transição. Mas as bases, por si só, não reduzem as emissões”, destacou Simon Fischweicher, diretor executivo de Sucesso do Cliente do CDP.

“O próximo passo é ajudar as PMEs a transformar a preparação em progresso: definir e alcançar metas credíveis, investir em iniciativas de redução de emissões e integrar a ação em todos os seus negócios. Compradores, instituições financeiras e formuladores de políticas têm um papel importante a desempenhar ao tornar o financiamento, os incentivos e o apoio prático mais acessíveis, ajudando as PMEs a reforçar a sua resiliência e competitividade enquanto aceleram a transição”, acrescentou Fischweicher.

Pesquisas anteriores do CDP, em parceria com o HSBC, revelaram que os fornecedores tinham 52% mais probabilidade de reduzir as suas emissões anuais quando os compradores ofereciam incentivos financeiros em comparação com apenas formação, destacando o papel que as grandes empresas podem desempenhar na aceleração da ação em todas as suas cadeias de valor.

As PMEs dos setores de Manufatura, Materiais, Serviços de Transporte e Geração de Energia demonstram alguns dos progressos mais fortes em relação aos indicadores básicos do CDP. O avanço nestes setores é particularmente significativo dadas as suas emissões e dependências da natureza, além da sua importância para a transição global. Em comparação, as PMEs do Varejo e de Serviços mostram menos progresso em relação aos indicadores avaliados. Dado o seu papel nas cadeias de valor mais amplas, acelerar a ação ambiental nestes setores também será fundamental.

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